Resultados e análise do Campeonato Brasileiro Adulto

O Brasil deve ter sido o único país que fez o Campeonato Nacional no fim do ano e após os Jogos do Rio. Não faz sentido algum a realização do campeonato mais importante do país acontecer no fim da temporada, a não ser por cumprimento de compromissos e calendário. Os principais atletas estão pós auge de treinamento, cansados, e em sua maioria não conseguem render tanto quanto poderiam.

Seria interessante, tanto para os atletas quanto para quem acompanha o esporte (falar sobre mídias aqui seria um sonho), que o nacional fizesse parte da periodização de treinamento de todas as categorias do esporte, e acontecesse pouco antes do campeonato anual mais importante de cada categoria. Dessa forma, a preparação dos atletas seria mais completa, além de que fãs, público e demais interessados, se aproveitariam de belas apresentações dos principais ginastas do país.

O Campeonato Brasileiro poderia ser mais valorizado, como acontece nos outros países, onde é tratado como seletiva para as equipes que competem nos Mundiais e Campeonatos Continentais, forçando o atleta e treinador a buscar um bom resultado e atraindo a atenção da mídia. Resultado: mais investimento, patrocínios e interesse das pessoas em acompanhar e assistir.

Por outro lado, essa é a chance de ginastas que não conseguiram fazer parte da equipe principal mostrarem tudo que podem fazer. Ginastas que não competiram internacionalmente acabam valorizando o nacional mais que os outros, mostrando em suas séries tudo que realmente podem fazer. Independente disso, a realização do nacional no fim do ano tem mais contras do que prós, e deveria ser um tópico estudado pelos dirigentes responsáveis para melhorias no próximo ciclo.

Caio Souza foi um dos que ficou fora dos Jogos Olímpicos e não deixou a bola cair 3 meses depois: manteve um ótimo nível de séries e acabou sendo campeão brasileiro no individual geral com uma boa nota: 87,200. Francisco Barreto, competiu no individual geral e ficou com a prata (86,350). O ginasta manteve um ótimo nível em seus principais aparelhos, com destaque para a barra fixa, onde foi 5° lugar na final dos Jogos Olímpicos. Fechando o pódio, Bernardo Miranda volta a colocar o Minas Gerais no cenário nacional da ginástica artística. Competindo na categoria adulta, conseguiu o bronze com 85,700, tendo média de execução 8,800. Muito limpo, o ginasta tem forte potencial para chegar em 2020 como um grande concorrente à uma vaga na equipe olímpica.

No feminino, Rebeca Andrade, mesmo com séries mais simples, foi a campeã com uma excelente nota: somou 58,300, pontuação que a coloca como uma das principais “all-arounders” para o ano que vem. Se continuar com ritmo de treino bom, pode ir para o próximo mundial e fazer história para o Brasil, com grandes chances de finais e medalhas. Carolyne Pedro e Milena Theodoro abraçaram suas chances e terminaram com prata (54,750) e bronze (53,700) respectivamente. Destaque para a juvenil Thais Fidelis, que sobe para a categoria adulta no ano que vem e está com todas as séries completas e muito bem montadas. Entre as ginastas de treze e quinze anos, foi campeã com 56,900, e poderia ter sido prata mesmo competindo entre as adultas.

Nas finais por aparelhos, destaque para Caio Souza, que foi campeão de solo, paralela e prata nas argolas, e para Francisco Barreto, que foi campeão de barra fixa. Caio pontuou altíssimos 15,625 na paralela, e Francisco pontuou 15,225 na barra fixa. Os ginastas que estiveram na final de paralela deram um show: foram quatro notas na casa dos 15,000 pontos entre os seis participantes que competiram. Rebeca terminou as finais com dois ouros (paralela e trave) e uma prata (solo). Thais foi a campeã de solo com 15,100 e Raquel Silva foi a campeã de salto com 13,725.

Mesmo com grandes promessas chegando à categoria adulta, o futuro é preocupante. Ainda contamos com os veteranos para o próximo ciclo e nada se sabe sobre a forma de conduzir as seleções, centros de treinamento ou quais treinadores continuarão trabalhando da mesma forma como durante os últimos quatro anos.

Resultados: Individual geral: masculino e feminino / Final por equipes: masculino e feminino / Finais por aparelhos: masculino e feminino

Foto: Ivan Ferreira / Gym Blog Brazil

Vídeos: Ginástica Brasil / Luciano Graciano

Post de Cedrick Willian

Postagens Recentes

  • ginástica

UPAG PAGU define calendário da ginástica pan-americana para 2025

Agenda começa em maio com a ginástica de trampolim e encerra em novembro com a…

  • Notícias

Obrigado Zanetti! Ídolo do esporte brasileiro encerra carreira

Com duas medalhas olímpicas no peito, ginasta escolhe se aposentar aos 34 anos Crédito: Um…