As eleições para a diretoria da Confederação Brasileira de Ginástica do próximo ciclo olímpico, 2013-2016, acontecem no próximo sábado, dia 08/12. O que você sabe a respeito disso? Apesar de pouco sabermos sobre o que acontece nos bastidores da eleição, tenho certeza que é do interesse de todos se interar dos rumos que a ginástica do nosso país pode tomar. Não quero, de forma alguma, tratar esse texto de outra forma que não seja a expressão da minha opinião; a análise dos fatos leva cada pessoa a pensar da forma como bem entender.
Para o próximo ciclo, duas chapas demonstraram interesse em direcionar a ginástica do Brasil:
CHAPA 1 – Avançando nas conquistas, que tem a atual presidente Maria Luciene Cacho Resende como candidata a presidente;
CHAPA 2 – Uma nova proposta para a ginástica, que tem Marco Antonio Martins como candidato a presidente.
Procurei ambas as chapas para tentar conseguir a proposta de candidatura de cada uma e formar uma opinião a respeito (por mais que eu não tenha direito a voto; na verdade, quase ninguém tem), e o que eu recebi foi:
CHAPA 1: Disseram-me que se eu não sabia nada a respeito é porque o assunto não me cabe. O que fosse para ser exposto, seria exposto. Ponto final.
CHAPA 2: Pediram meu telefone e me ligaram. Clarice Morales, presidente da Federação Paulista de Ginástica e candidata à vice-presidência da CBG pela chapa 2, sanou todas as dúvidas que eu tinha quanto às eleições, e comentou suas dificuldades e conquistas nos anos que presidiu a ginástica de São Paulo.
As informações que consegui foram excelentes. Esclareceram muito quanto ao que eu pensava e quanto ao que agora penso. Imagino que vários de vocês, leitores do Gym Blog Brazil, gostariam de saber o que se passa, por mais que o assunto não lhe caiba. Mas, será que o assunto não lhe cabe mesmo? O simples fato de amar ginástica me faz querer, no mínimo, me interar sobre o que acontecerá com o esporte que eu amo durante 4 anos! 4 anos que precedem uma Olimpíada dentro de casa.
Independente da conversa franca que eu tive com a presidente da Federação Paulista, tudo relacionado a Assembléia Eletiva você pode encontrar no estatuto da CBG. O estatuto se encontra no site oficial da CBG, no seguinte link: http://cbginastica.com.br/cbg/2011/documentos/site/Estatuto%202011.pdf. Do artigo 21 ao 28 está o que você precisa saber sobre as eleições da CBG.
Mas eu vou voltar um pouquinho, no artigo 17. Quero mostrar algumas questões que eu vejo como falha no estatuto e que deveriam ser questionadas por quem tem o direito de questionar. Vejamos:
ART. 17 A Assembléia Geral reunir-se-á em sessão Ordinária no mês de janeiro ou fevereiro de cada ano ou em sessão Extraordinária, por convocação do Presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, do Conselho Fiscal, garantido ainda a 1/5 (um quinto) dos filiados o direito de promovê-la.
Uma Assembléia Geral por ano? É isso mesmo? Um encontro por ano é suficiente para todos os presidentes de todas as Federações do Brasil exporem seus problemas, suas dificuldades, seus acertos, enfim, resolverem todas as questões da ginástica do Brasil? Só lembrando: o Gym Blog Brazil trata apenas da ginástica artística e minha cabeça ferve ginástica o dia inteiro. A CBG e as grandes Federações tratam de 7 ginásticas diferentes! Uma Federação que possui 7 modalidades de ginástica apresenta dificuldades diferentes de uma Federação que apresenta apenas uma ou duas.
Propor mudanças no estatuto é um direto assegurado às Federações, como está escrito no parágrafo segundo do artigo 17: § 2º Alteração do Estatuto, no todo ou em parte, poderá ser proposta por qualquer uma das Filiadas da Confederação Brasileira de Ginástica, sendo apreciada em Assembléia Geral Extraordinária especialmente convocada.
Outro artigo interessante…
ART. 24 A Assembléia Geral com fins eletivos será composta pelas Federações filiadas à Confederação Brasileira de Ginástica.
Parágrafo Único – Terão direito ao voto em Assembléia Geral Eletiva as Federações com no mínimo 2 (dois) anos de filiação antes da data da eleição e neste período ter cumprido o prescrito nos § 1º, 6º, 7º, 8º e 9º do art. 11 deste Estatuto.
Acredito que os maiores interessados com as melhorias da ginástica do Brasil são os atletas, afinal, eles são os maiores beneficiados. E é através deles, e das conquistas deles, que os benefícios vem. Bons resultados fortificam o esporte no país. E por que privar os ginastas de voto? As eleições seriam mais democráticas e justas se os atletas da seleção, maiores de 16 ou 18 anos, votassem.
Vamos pegar o nosso campeão olímpico, Arthur Zanetti, como exemplo. A opinião de Arthur não é importante? Ele, com certeza, tem uma opinião. Antes dos Jogos Olímpicos, comentei com um colega de profissão, um amigo personal trainer da academia que eu trabalho: “Quem acompanha os esportes no Brasil está prestes a ter uma enorme surpresa. Todos acreditam que Diego Hypólito voltará com medalha de Londres. Mas, o que a maiora destes não sabe, é que quem carrega a maior esperança de medalha na ginástica artística é um ginasta chamado Arthur Zanetti. Você conhece ele? Ele é bom de argolas… Ele vai voltar com uma medalha de Londres e as pessoas acharão que foi o furo do ano: Diego sem medalhas e um desconhecido com o ouro olímpico.” Foi exatamente o que aconteceu. Esse amigo me procurou depois para uma outra conversa.
Alguém sabe quais foram as condições de treino de Arthur até o ouro olímpico? Ele não fazia parte do “Time Rio”. Será que ele tinha uma argola da marca “Gymnova” para treinar, a mesma marca que seria usada nos Jogos de Londres? Quem mais investiu nele: o clube, o técnico, a Federação, os pais ou a CBG? Eu realmente não sei a resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas o Arthur sabe. E, a partir do que ele sabe, ele não teria uma opinião formada a respeito do que seria melhor para a ginástica do Brasil nos próximos 4 anos? O que o dono do primeiro ouro olímpico tem a dizer? O que a Daniele Hypólito pensa? E o Diego? E a Marcela Lopez? E a Natália Gaudio? Às vezes a opinião deles através do voto teria mais força do que a de um Presidente de Federação que tem apenas um tipo de ginástica dentro do seu estado. O fato de um presidente de uma Federação, digamos, fraca, ter sido chefe de delegação em alguma viagem internacional não dá uma noção completa do que realmente acontece na ginástica como um todo.
Antes da última Assembléia Eletiva (que elegeu a atual presidência), foi feito, a pedido das duas chapas que concorriam a atual presidência, uma Assembléia “Comício”, em caráter especial, para que as chapas falassem sobre suas propostas e colocassem seus ideais para os presidentes das Federações. Em uma única reunião, as duas chapas fizeram seus discursos para as pessoas que tinham direito a voto. Apesar de não ter sido ideal, foi democrático. Parabéns à antiga presidente, Vicélia Florenzano, por ter dado essa oportunidade as duas chapas que concorriam, mesmo que essa Assembléia “Comício” não fosse (e ainda não é) um direito assegurado pelo estatuto da CBG.
Dessa vez a Assembléia “Comício” não acontecerá. A justificativa é que a CBG “não teve tempo hábil para organizar essa ação da forma que ela merece”. E isso já deixa uma das chapas em desvantagem, visto que os 4 anos que se passaram serviram como propaganda do trabalho da Chapa 1. Independente de vantagens e desvantagens relacionadas às chapas, te pergunto: quantos e-mails de políticos você recebeu na última eleição? E quantos você leu? Eu não li nenhum, descartei todos sem ao menos abrí-los. A “propaganda política” feita cara a cara tem um efeito completamente superior do que quando feita por ligações e e-mails. Já que não haverá essa Assembléia “Comício”, será que alguns minutos antecedentes à votação de sábado servirá para que cada chapa demonstre o trabalho que pretende fazer em 4 anos? E, reintero, 4 anos que precedem o evento mais importante do mundo, e que dessa vez acontecerá no Brasil?
Sinceramente, acho um descaso. Um descaso com quem torce pela ginástica, um descaso com quem quer vê-la crescer, um descaso com os atletas, um descaso com todas as pessoas que são, de alguma forma, envolvidas com a ginástica. E isso inclui eu e você. Ou não. Talvez esse assunto realmente não me caiba. Sou apenas a única forma de mídia do Brasil que conectou, ao vivo, os torcedores brasileiros em Londres durante as classificatórias olímpicas. E a presidência da CBG nem deve saber disso. Afinal, quem sou eu, de verdade? Respondo: sou um mero comunicador social do esporte que eu amo.
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