Trocas de nacionalidade
14 de maio de 2015Mundial Pré-Olímpico será em Stuttgart
17 de maio de 2015Foi votada e aprovada a proposta do presidente da FIG Bruno Grandi em diminuir a equipe olímpica de 5 para 4 ginastas. A proposta foi aprovada ontem e entrará em vigor a partir do próximo ciclo olímpico. Mas quais são as vantagens e desvantagens desse novo formato? A opiniões estão divididas e até um abaixo assinado foi feito para que o formato continue como no ciclo olímpico atual.
De acordo com a nova proposta (como explicado em um post anterior), a equipe será reduzida para 4 ginastas o que abriria 24 vagas, 12 femininas e 12 masculinas, para especialistas. A classificação seria feita através dos Campeonatos Continentais e Copas do Mundo, com a intenção de aumentar a participação de outros países nas Olimpíadas e aumentar a popularidade e valorização dos outros campeonatos internacionais. Os Estados Unidos, por exemplo, não participa de Copas do Mundo de Ginástica na categoria feminina e com a mudança isso pode começar a acontecer.
Sem dúvidas essa é uma vantagem enorme do novo formato: campeonatos internacionais mais interessantes de assistir e mais competitivos. Grandes potências com interesse em classificar ginastas individuais começarão a levar seus bons atletas para competições internacionais “menores”. Ficou decidido que países que classificarem uma equipe completa terão o direito de classificar mais 2 ginastas, seja como individual geral ou especialista por aparelhos. Ou seja: no fim das contas o país não perdeu uma vaga de sua equipe; na verdade, ganhou o direito de conquistar mais uma vaga individual.
Vamos pensar em exemplos: no último Mundial Pré-Olímpico, o Brasil conquistou duas vagas de especialistas e uma através do individual geral: Diego Hypólito no solo e Arthur Zanetti nas argolas; Sérgio Sasaki no individual geral. Se, no mesmo Mundial, a equipe masculina tivesse sido classificada, no fim das contas teríamos que incluir Zanetti, Sasaki e Diego numa equipe de 5 ginastas. Na proposta atual e no mesmo exemplo, se a equipe tivesse sido classificada, uma equipe poderia ser montada com Sérgio Sasaki e mais 3 ginastas além da garantia de participação de Zanetti e Diego como especialistas. Dessa forma, o Brasil seria representado por 6 ginastas: 4 pela equipe e 2 especialistas.
A equipe feminina dos Estados Unidos tem o mesmo exemplo. Os EUA tiveram várias medalhistas no Mundial Pré-Olímpico: Mckayla Maroney foi ouro no salto, Jordyn Wieber foi bronze na trave e ouro no individual geral e Alexandra Raisman foi bronze no solo. Além dos resultados individuais gerais, a equipe americana também foi classificada. Para Londres e na atual regra, poderiam formar uma equipe com Jordyn Wieber e mais 3 ginastas além de levar Maroney e Raisman como especialistas, um total de 6 ginastas.
O interessante é que a proposta das 24 vagas foi aberta para todos e não só para países que não se classificaram por equipes, abrindo a possibilidade de todos os países serem representados por mais um ginasta além do atual limite máximo de 5 ginastas. Isso pode fazer até com que ginastas especialistas continuem por mais tempo no esporte, já que não dependem exclusivamente da equipe para serem classificados para as Olimpíadas. Atualmente existem ginastas que são grandes potenciais de medalhas mas não são interessantes para a equipe, como o caso polêmico de Diego Hypólito no ano passado.
Ao mesmo tempo, alguns veem como desvantagem o fato das potências classificadas por equipes ainda terem chances de levarem mais 2 ginastas para as Olimpíadas, de certa forma prejudicando os países menos tradicionais. Vale lembrar que o Brasil (e até os Estados Unidos) em uma época não muito distante, não era considerado um país candidato à medalha, mas trabalhou muito até que isso fosse possível. As chances são dadas de forma igualitária para todos e cada país deve trabalhar junto ao seu governo e políticas esportivas para a melhoria das performances dos seus atletas. Quem deve estar nas Olimpíadas? É justo um atleta realmente bom e com chances de ser medalhista olímpico ficar em casa enquanto outro ginasta esteja em seu lugar competindo apenas com a intenção de participação?
Na prática ainda veremos como funciona, mas a situação atual é de divisão de opiniões. Até que o novo ciclo se inicie e as novas competições comecem, restarão apenas as especulações dos fãs do esporte. Se você concorda com a nova decisão, é só esperar até 2017. Se você não concorda, junte-se aos outros e assine a petição a favor da continuidade da regra atual clicando aqui.
Post de Cedrick Willian