Oksana Chusovitina, um exemplo de mãe



Tive o prazer de conhecer Oksana pessoalmente, e afirmo que ela é uma pessoa muito simpática, simples e engraçada demais! Tudo isso aumentou o respeito e admiração que eu já tinha por ela.


O vídeo abaixo é meio antigo, e o dia das mães foi ontem, mas acredito que a nossa maior referência de mãe na ginástica seja Oksana Chusovitina, e tamanha referência não tem data para ser homenageada! A maioria dos leitores conhece a história de vida da ginasta, e a luta que ela travou contra o câncer que acometeu a saúde de seu filho. Hoje ele está curado, para a felicidade de uma mãe que fez o que mais ama para salvar quem mais ama.

TRADUÇÃO

Narrador

“Nível mundial aos 35 anos de idade. No campeonato Europeu
de Berlin, Oksana Chusovitina será a mais velha competidora. A ginasta do
Uzbequistão agora compete pela Alemanha, por ser grata à ajuda que seu filho
recebeu quando sofria de Leucemia.

É um sonho eterno dos humanos, o sonho de voar. E todos aqueles
que já voaram alguma vez, não querem parar nunca mais. Não querem ser impedidos
por nada, especialmente pela idade.”

Oksana

“Eu amo este esporte. E não consigo viver sem a
ginástica.”

Narrador

“Oksana Chusovitina tem 35 anos de idade e é uma atleta a nível
mundial. Você tem que observar bem o ginásio para realmente entender o que isto
significa. Chusovitina é uma mulher, em meio a meninas. As meninas são do
time nacional do Uzbequistão. Chusovitina é a técnica delas há mais de um ano.
No mundo inteiro, é a única técnica de um time nacional que é superior a suas
próprias atletas, mesmo levando-se em conta que ela já estava fazendo ginástica
antes mesmo delas nascerem.

Campeonato
Mundial de Indianápolis, 1991: Uma atleta soviética desconhecida é introduzida.”

Narrador da competição

“De Tashkent, com 16 anos de idade. E ela salta muito bem
em seu primeiro salto.”

Narrador

“Chusovitina faz com que os comentaristas lembrem-se de seu
nome. A garota de 16 anos alcança dois ouros e uma prata. O início de uma
carreia eterna. O primeiro passo para se tornar uma lenda na ginástica.”

Atleta (Daria Yelizarova)

“Oksana é um excelente exemplo para nós. Ela nos oferece
experiência e somos muito gratas por termos a chance de treinar com ela.”

Narrador

“No momento, o time do Uzbequistão está com Chusovitina em
Bergisch – Gladbach, para um acampamento de treinamento de dois meses. Afinal,
a “chefe” de tudo também tem metas a alcançar. Hoje, Chusovitina está
treinando com a técnica nacional Alemã, Ulla Koch, em preparação para o
Campeonato Europeu de Berlin. Lá, a técnica do time nacional do Uzbequistão
quer alcançar medalhas para a Alemanha. Uma constelação inusitada.”

Ulla Koch

“Oksana tem, claro, muita experiência por ser uma ginasta
há décadas. Eu me beneficio com isso. Nós conversamos sobre o programa de
treinamento – nós alemães temos uma certa estratégia; tentamos isso, mudamos
aquilo –  e Oksana usa um pouco disso para sua própria equipe. Mas não há
problemas, porque nós também treinamos com o time nacional dos Estados Unidos,
e eles nos oferecem ajuda. Não há segredos.”

Narrador

“Aqui é aonde tudo começou. Na cidade de Tashkent, capital
do Uzbequistão, Chusovitina cresceu em uma família comum como a caçula de
quatro filhos. Ela começou na ginástica por causa de seu irmão, mas enquanto
ele abandonava depois de três semanas, Chusovitina estava apenas
começando.”

Chusovitina

“Quando eu comecei a treinar tinha 8 anos, mas por 1 ano
treinei apenas com garotos, porque sempre disse que queria treinar com meninos
e não com as meninas.”

Narrador

“Visivelmente ela não atraía atenção em meio aos meninos,
mas seu talento estava se destacando. Aos 15 anos ela estava competindo em um
evento maior – os “Goodwill Games”. Esse primeiro sucesso internacional
foi o resultado de trabalho duro e disciplina, porque aos 12 anos, Chusovitina
se mudou de casa para Moscou, para treinar mais duro no centro de treinamento
Soviético.”

Chusovitina

“Sim, foi bem difícil porque era a mesma coisa todos os
dias. Treinávamos três vezes ao dia, comíamos três vezes ao dia, e algumas
vezes estudávamos depois do terceiro turno de treinamento. Nós sentíamos que
íamos morrer. E às vezes dormíamos um pouco (risos).”

Narrador

“O resultado do trabalho duro: uma carreira em ritmo
acelerado. Nas olimpíadas de 1992 em Barcelona, Chusovitina era parte do
time da União Soviética, e ganhou um ouro nos seus primeiros jogos. O sonho de
qualquer atleta se tornou real para ela, com apenas 17 anos de idade.”

Chusovitina

“Depois das minhas primeiras Olimpíadas, eu pensei que me
aposentaria. Por um ano, eu ia ao ginásio apenas 3 vezes na semana, não tinha
certeza se queria continuar ou não. E depois disso, e depois de um descanso,
meu corpo sentia que “sim, Oksana, eu quero fazer ginástica”. Eu então comecei
tudo de novo e nunca mais parei.”

Narrador

“Depois de se tornar campeã olímpica, Chusovitina era
famosa. Ela competia em galas, mostrando talentos que não eram conhecidos. No
seu país natal, o recém-formado Uzbequistão, ela era uma heroína.
Em 2001, ela tinha até mesmo seu próprio selo dos correios em
Uzbequistão.

Chusovitina levava uma vida confortável com sua carreira, mas de
repente, tudo estava a perder. “Em 1999 seu filho Alisher nasceu, mas três anos
depois, veio um devastante diagnóstico: Alisher sofria de Leucemia.”

Oksana

“Para mim, foi como um choque. Me senti vazia. Eu estava
atordoada, não acreditava no que me diziam.”


Narrador

“Chusovitina, que já havia conquistado tudo por si só, de
repente precisava de ajuda. Ela e seu marido, Bahodir Kurpanov – um
lutador greco-romano aposentado – não conseguiam pagar pelos tratamentos em
Uzbequistão ou Moscou. Era esperado que custaria a eles $120,000 euros. A
salvação veio de Colônia, onde Chusovitina estava fazendo ginástica em
“Bundesliga” por dois anos. Seus amigos alemães a ajudaram a contatar o
hospital da universidade e arrecadar verbas – mundialmente – para o pequeno
Alisher. A popularidade de Chusovitina pela “família da
ginástica” tornou o impossível, possível: o dinheiro para o tratamento
estava sendo arrecadado. A ginástica salvou a vida de Alisher, e se tornou
mais importante do que nunca para Chusovitina.”

Bahodir
Kurpanov

“O técnico de Oksana a encorajou a continuar sua carreira,
e eu posso ver que a ginástica a ajuda, que é boa para ela. Claro, eu a
apoio.”

Narrador

“Oksana mostra sua gratidão onde é mais confortável: no
ginásio. E então praticou ginástica a partir de 2006 para a Alemanha. Ela
conquistou sua décima medalha em mundiais, representando sua quarta nação. E
foi a primeira Alemã a chegar a um título europeu desde 1985. Em 2008, em
Pequim, conquistou uma medalha de prata aos 33 anos de idade, com um salto que
não havia competido anteriormente, nem voltou a competir depois: um tsukahara
com dupla pirueta.”

Narrador da competição

“E ela consegue!!! Oksana Chusovitina!!! Uma impressionante
conquista!!!”

Narrador

“16 anos depois de seu ouro em Barcelona, Chusovitina ganhou
outra medalha olímpica. Uma medalha para Alisher, e todos que estavam o
ajudando.”

Chusovitina

“Sem a ginástica eu não poderia ter feito nada pelo meu
filho. Eu já disse isso 100 vezes, e direi outras 100: Muito obrigada a todos
que estiveram ajudando Alisher.”

Narrador

“Hoje Alisher tem 11 anos e está saudável. Os
“Chusovitinas” encontraram um lar na Alemanha, e pelo trabalho com a seleção do
Uzbequistão, eles viajam de seu apartamento, em Tashkent, para Colônia
frequentemente. Seu marido Bahodir gerencia o time. Apenas Alisher
desistiu da ginástica, ele quer se tornar um jogador de futebol. E com esse
DNA, isso é bem realista.

Desde Pequim, Chusovitina sofreu um rompimento do tendão de
Aquiles e passou por duas cirurgias nos ombros. Financeiramente ela não depende
da ginástica, mas ainda assim ela continua a treinar.”

Chusovitina

“Quando estou treinando, estou sempre de bom humor. Se não
quero treinar, não treino. Mas se treino, realmente quero treinar.”


Narrador

“Os outros competidores já há algum tempo abandonaram suas
esperanças de que ela pararia.
Na internet, há piadas onde dizem que ela talvez compita nos Jogos de 2064, aos
89 anos de idade.”

Chusovitina

“Sim, até as Olimpíadas, irei continuar com certeza.”

Entrevistador

“Sim? 2012? Sua sexta olimpíada, eu acho.”

Chusovitina

“Bem, eu não disse 2012… Talvez também em 2016.


Tradução de Marina Aleixo, colaboradora do Gym Blog Brazil.

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