O que a ginástica reserva para 2015? – Parte 2

CHINA

Wang Yan

Forte e explosiva, Wang Yan foge ao estereótipo da ginasta chinesa, e com status de bicampeã olímpica juvenil, é “a luz no fim do túnel” pra seleção adulta, que sofre pela pouca renovação dos últimos anos. Yan é surpreendentemente especialista em três aparelhos, e promete elevar os somatórios da China no salto, apesar de pequena, e no solo; no primeiro, apresenta dois saltos de valor igual e superior a 6 pontos (Rudi e Tsukahara com dupla pirueta), e no segundo, duas passadas E – Tsukahara grupado e a sequência de 1.5 ao passo ligada indiretamente a tripla pirueta. Na trave, seguindo a tradição chinesa, apresenta elementos complexos (flic-flic-mortal esticado, mortal grupado pra frente com meia-volta e tripla de saída) com execução por vezes impecável. Nas barras, porém, não se destaca, especialmente pelo nível altíssimo de toda a equipe.

Yao Jinnan

No último Mundial, Yao Jinnan foi o maior nome da China. Liderou a equipe chinesa para a prata na final por equipes, além de terminar com o ouro nas barras assimétricas e quase beliscar uma medalha no individual geral, onde terminou na 5ª colocação. A ginasta também esteve na final de trave, onde acabou na última colocação. Jinnan possui a melhor série de barras da atualidade, além de contribuir bem com a equipe no salto (onde apresenta um yurchenko com dupla pirueta) e na trave.Tirando as fatalidades que ocorreram e podem acontecer para qualquer uma, Jinnan é um nome praticamente certo esse ano, exceto por uma possível lesão no ombro, de acordo com rumores que correm atualmente. Com certeza a ginasta faria muita falta para a equipe chinesa que, além de precisar muito dela, tem em Jinnan uma das maiores chances de medalha para o país.

Huang Huidan

Campeã mundial em 2013, Huidan continuou com um bom trabalho nas assimétricas em 2014 ficando com a prata, colada na sua compatriota Yao Jinnan. A ginasta competiu no Mundial de 2014 apenas nas assimétricas e na trave, mas pode ser considerada a ginasta mais consistente da equipe atualmente. Apesar de ter um solo relativamente fraco (D 5.2), talvez Huidan tivesse pontuado melhor nesse aparelho do que as ginastas que foram selecionadas para apresentá-lo no Mundial… A consistência dela no último Mundial foi essencial para que a ginasta seja apontada como um grande nome da China esse ano. Ela pode contribuir bem para a equipe novamente na trave e assimétricas além de ter grandes chances de ganhar mais uma medalha em seu principal aparelho.

Bai Yawen

Bai Yawen é uma ginasta extremamente agradável de assistir, sobretudo por seus limpíssimos exercícios de trave e solos com bom gosto, tanto na escolha musical quanto na coreografia. Bai, no entanto, é uma ginasta com poucas dificuldades no geral, tirando, claro, seu exercício de trave, que já teve 6.5 de nota de dificuldade em potencial, mas que por conta de simplificações se manteve apenas em 6.2 no Campeonato Mundial do ano passado, quando ela se tornou medalhista de prata na final desse aparelho. No salto a ginasta chinesa apresenta um simples, porém bem realizado, yurchenko com pirueta. No solo, seus elementos acrobáticos mais difíceis valem apenas D, deixando sua nota de dificuldade muito abaixo do que a China precisaria pra uma disputa por equipes. Sua série de barras é ainda mais simples, não conseguindo sequer cumprir todas as exigências do aparelho (saída de duplo carpado). Resumindo: a força na trave é tudo que manteve e pode manter Bai Yawen na equipe da China em 2015.

Shang Chunsong

Shang Chunsong é uma ginasta com dificuldades variadas e bastante originais em quase todos os aparelhos, tirando o seu ponto fraco: o salto sobre a mesa. Sua nota de dificuldade é na casa dos 5 com um simples yurchenko com pirueta. Sua fraqueza a impede de ser a ginasta mais completa da equipe, mesmo mostrando força na trave e solo, aparelhos nos quais ela foi campeã nacional em 2014. A pequena ginasta, no entanto, peca na consistência e execução desses aparelhos, com problemas de ponta de pé, joelhos relaxados e, em alguns casos, tronco muito baixo. Mesmo assim Shang tem grandes chances de se manter na equipe, já que no Mundial de 2014, em Nanning, ela foi a melhor ginasta chinesa no solo, conseguindo alcançar a marca dos 14 pontos. Se a atleta conseguir melhorar seus erros de execução, sua série de solo pode não só garantir uma final por aparelhos no Mundial como também tem nota D suficiente até pra medalhar caso acerte os elementos corretamente. A atleta tem pretensão de acrescentar um moreno (tripla pirueta e meia) + mortal carpado na série, algo que ela treina desde antes do Mundial. Recentemente, Shang se mostrou capaz de realizar mais upgrades nos elementos de dança: um triplo giro na posição cossaco (valor E) e um illusion ligado diretamente ao gomez, ligação que bonifica em um décimo. Com tudo que ela tem a intensão de colocar na série de solo, Shang poderia alcançar os 6.8 de dificuldade, algo muito acima do que já foi alcançado por uma ginasta no feminino enquanto vigora o atual código de pontuação (até hoje a maior nota D foi um 6.5). Sua série de trave também tem uma nota de dificuldade monstruosa em potencial: um 6.9, incluindo o flic + layout + layout que a chinesa não realizou no Mundial do ano passado e com todas as ligações e elementos devidamente validados. Nas barras, Chunsong também já alcançou 6.9 de nota D, mas está constantemente simplificando sua série ou errando alguma parte dela.

Tan Jiaxin

Tan Jiaxin fez uma ótima estreia em 2014 e o sucesso na equipe pode continuar em 2015. Ela fez um bom trabalho nas classificatórias, onde só não competiu na trave. Jiaxin é muito boa de solo e salto (ela conseguiu um 15.133 no yurchenko com dupla pirueta) – pontos fracos da atual equipe chinesa – e ainda contribui com mais de 15 nas assimétricas (D 6.9). Sua passada de pirueta e meia ao passo para tripla bonifica 0.2 e ainda pode ser incluído um mortal pra frente depois da tripla (como sua compatriota Chunsong faz), já que Jiaxin é consideravelmente explosiva se tratando de uma chinesa. Aumentar a dificuldade de sua série de solo a deixaria mais “lock” ainda no Mundial, já que a equipe chinesa está com um dos piores solos desde 2008.

Texto de Cedrick Willian, Stephan Nogueira e Bernardo Abdo.
Foto: Wagymnastics

Esse é o segundo texto de 2015 da série ” O que a ginástica reserva”. Todo fim / começo de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.

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