Segunda parte da série “O que a ginástica reserva para 2014”.
RÚSSIA
Maria Kharenkova
É uma das maiores esperanças da Rússia para os Jogos do Rio e foi o grande destaque do país na categoria júnior durante os últimos dois anos. Campeã européia de 2013 no individual geral e no solo, a ginasta também apresenta bastante potencial na trave, seu melhor aparelho, podendo ultrapassar a marca de 6.5 de partida. Embora tenha conquistado o título de “mais completa” entre as juvenis da Europa, Kharenkova ainda não deve ser considerada competitiva para os padrões da ginástica adulta. No salto, executa apenas um FTY, e na paralela executa uma série de 5.3 de dificuldade, com saída C.
Viktoria Kuzmina
Especialista de paralelas e trave, a pequena Kuzmina vem alcançando bons resultados sobretudo no primeiro aparelho: atual campeã nacional da categoria júnior, 4ª colocada no EYOF 2013 e medalha de prata no Europeu 2012. Na trave, apresenta boas dificuldades, mas precisa de mais consistência para não falhar em momentos cruciais. Tem potencial para superar os 6 pontos de partida em ambos os aparelhos.
Daria Spiridonova
Excelente barrista, Spiridonova vem se mantendo nas equipes de base russas especialmente por seu potencial nesse aparelho. Ainda com pouca experiência internacional, a ginasta representou a seleção uma única vez esse ano, durante o Olympic Hopes Tournament. No Campeonato Nacional em Penza, foi segunda colocada em sua especialidade.
Viktoria Komova
A ginasta juvenil mais poderosa de todos os tempos? Talvez. Mas desde que entrou para a categoria adulta, Komova sofre com uma inconsistência gigantesca em finais importantes, além de lesões que sempre a impedem de estar 100% quando necessário. Seu talento é inegável, e ela sem dúvidas pode contribuir muito para a equipe no Mundial do ano que vem, ainda mais se estiver na sua melhor forma. Barras e trave são seus melhores aparelhos, e que poderão levá-la tranquilamente a finais individuais caso ela acerte suas séries na classificatória. Salto é uma incógnita… Sabemos que ela tem a capacidade de realizar um amanar, mas seu corpo mudou muito desde os Jogos de Londres, e ela, a cada competição, realizava esse salto com menos facilidade. Solo é um ótimo aparelho quando ela acerta. Viktoria em boa forma pode ser campeã mundial no individual geral, sobretudo se souber adequar suas séries ao novo código e apresentar o seu melhor na final, mas seu histórico nessas finais não é das melhores: prata em 2011 e prata em 2012, poucos décimos de distância do ouro, décimos que poderiam ser evitados. Suas séries de 2012 no novo código basicamente estão valendo 6.3 (salto), 6.8 (paralela), 6.4 (trave) e 5.9 (solo). Só nos resta saber o que Komova reserva para 2014…
A série de solo mais linda que Komova já executou.
Aliya Mustafina
O que a ginástica reserva para Mustafina em 2014? A pergunta deveria ser essa. Inesperadamente, Mustafina foi campeã mundial de trave esse ano. Depois de passar por uma classificatória desastrosa, Mustafina voltou para as finais com a garra de uma campeã. Carregou o time russo feminino inteiro nas costas e saiu do Mundial com três medalhas. Nenhum leitor que participa ativamente do blog apostou nela como campeã mundial de trave na nossa previsão. Acho que isso vai mudar no ano que vem: a ginasta terminou o ano fazendo uma das séries de trave mais inteligentes do novo código e pontuando 15.150! Com um solo e salto mais consolidado, ela pode voltar a ser ouro no individual geral, já que paralela nunca foi problema para ela.
Ksenia Afanasyeva
Eram esperados bons resultados da ginasta no Mundial mas, infelizmente, uma cirurgia no tornozelo foi necessária. O pior é que a última notícia que se tem é que a cirurgia não foi bem sucedida, e provavelmente Afanasyeva continuará fora por um tempo. A ginasta competiu muito bem no Universíade esse ano. Surpreendeu à todos com um amanar e foi campeã de salto, solo e prata no individual geral. Quase que a prata vira um ouro, já que a ginasta teve uma queda na trave e assim ficou 1.050 pts atrás de Mustafina. Afanasyeva poderia ter entrado para a final de salto e solo no Mundial, podendo ser medalhista em ambos aparelhos. Apesar da perspectiva de bons resultados, o que eu espero para Afansyeva em 2014 é que ela se recupere completamente, e volte apenas quando a saúde estiver 100%!
Tatiana Nabieva
Essa foi outra ginasta que surpreendeu no Universíade. Quando todos não acreditavam mais em Nabieva, eis que ela aparece, forte e magra, ficando em 3º no individual geral das classificatórias universitárias. Como Mustafina e Afanasyeva estavam á sua frente, Nabieva acabou fora desa final, mas foi cotada como “all arounder” no Mundial, o que, infelizmente, não aconteceu: a ginasta sofreu uma concussão na cabeça e competiu de forma discreta. Ainda no Universíade, foi prata na paralela, única final que entrou. Mas “zerou” a Russian Cup, onde foi campeã de todas as finais, exceto solo. Nabieva saudável pode colaborar (paralela e salto) muito para a equipe russa no Mundial do ano que vem.
Evgeniya Shelgunova
É uma ginasta que pode ser o ”dark horse” da equipe russa no Mundial de 2014. No entanto, sua inconsistência em competições internacionais sempre a atrapalha das piores formas possíveis. Shelgunova é uma atleta que em campeonatos nacionais, regionais e seletivas, compete com tranquilidade, apresentando o seu melhor com facilidade, mas que até hoje não conseguiu apresentar internacionalmente essas séries excelentes. Seu melhor aparelho, a trave de equilíbrio, já teve uma nota de dificuldade de 6.7 em 2013, sendo que em treinos já mostrou potencial para 7.1 (com a sequência de estrela sem mãos + layout + layout). No solo, Shelgunova também tem potencial pra realizar algo bastante decente. Apesar dos problemas sérios de postura em duplos mortais, a ginasta já alcançou um D de 5.8 nesse aparelho. Evgeniya costuma realizar um sólido yurchenko com dupla pirueta e treina o amanar. A paralela já foi um bom aparelho para ela, mas atualmente é, de longe, seu ponto fraco, com problemas posturais graves nos voos.
Alla Sosnitskaya
Surgiu simplesmente do nada em 2013. Após um desempenho muito bom na Russian Cup (prata no individual geral), Alla se tornou um dos possíveis nomes a serem cotados para a equipe russa em competições internacionais. E foi isso que ocorreu logo em seguida, quando Alla pôde competir na Copa do Mundo de Osijek. Logo na fase classificatória, na prova de paralela, uma grande surpresa: Alla conseguiu superar todas as participantes da competição com uma nota de 14.800, que é algo bastante expressivo para uma ginasta que até então era muito pouco conhecida. No entanto, a ginasta cometeu falhas muito consideráveis na final e terminou fora do pódio, mostrando mais uma vez que a inconsistência é o maior problema da equipe russa. Os erros em Osijek e a inexperiência não a impediu de ser campeã de salto na Copa de Massília, realizando ótimos saltos: yurchenko com dupla pirueta e lopez. A ginasta também se destacou no Gymnasiade, ao vencer o individual geral com uma soma de 56 pontos, mostrando um solo promissor com duplo mortal esticado e dois flic flacs sem as mãos ligados indiretos a uma tripla pirueta. Trave é o aparelho mais fraco de Alla, onde ela soma inconsistência e relativa falta de dificuldades.
Texto de Bernardo Abdo, Stephan Nogueira e Cedrick Willian.
Esse é o segundo texto de 2013 da série ” O que a ginástica reserva”. Todo fim de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.
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