Última parte da série “O que a ginástica reserva para 2014”.
BRASIL
Julie Kim Sinmon
Revelada pela Academia Yashi, Julie representa desde 2012 o Clube de Regatas do Flamengo e figura este ano como um dos principais nomes a disputar vaga para o Mundial em Nanning. Estreante na categoria sênior, surpreendeu ao conquistar uma medalha de bronze no individual geral dos Jogos Sul-Americanos no Chile, ainda que em início de temporada e sem parte das dificuldades já preparadas em treino. Por seu potencial no salto (mortal carpado com meia) e na trave (switch half, sequência de reversão sem mãos + wolf + mortal lateral, duplo grupado de saída), tem se garantido em alguns dos principais eventos internacionais dos quais a seleção participa, como a Gymnasiade e o Woga Classic. No Brasileiro Adulto em Vitória, no ano passado, contribuiu para mais um título de seu clube e ganhou uma medalha de bronze individual (salto).
Lorrane dos Santos
Treinada atualmente por Oleg Ostapenko no Centro de Excelência do Paraná, Lorrane é um dos grandes talentos brasileiros para os Jogos do Rio em 2016 e representa o país nas categorias de base desde 2010, quando aos 12 anos foi parte da seleção que dominou o Sul-Americano Infantil na Bolívia. Seus melhores aparelhos são barras (Maloney +shootover, pirueta na cubital+Jaeger carpado, duplo pra frente) e solo (Dos Santos, duplo twist grupado+mortal, Tsukahara), com resultados expressivos no individual geral por apresentar um bom nível também nos outros dois aparelhos. Durante o Continental Juvenil do ano passado, alcançou os títulos por equipe, individual e do solo, além de ter sido vice-campeã no salto e nas barras. Entretanto, devido a uma lesão recorrente no ombro, foi desfalque na Gymnasíade em Brasília e deixou os Jogos Sul-Americanos desse ano com apenas uma medalha.
Mariana Oliveira
Descoberta em Guarulhos pela jovem treinadora Keli Kitaura, Mariana é mais uma promessa deste ciclo preparada por Ostapenko em Curitiba, e passou a ser vista como forte concorrente à equipe olímpica após ótimos resultados alcançados na Rússia, durante a Copa Voronin de 2012. No final do ano passado, foi um dos destaques do Brasil na Gymnasíade ao conquistar 3 medalhas, duas delas em seus aparelhos mais competitivos: salto (com um ótimo DTY) e trave (mortal pra frente parado+salto wolf, salto anel muito correto, saída em duplo grupado com facilidade). Nas barras, apresentou uma grande evolução, subindo em mais de 1 ponto sua partida ao completar a série com um Jaeger carpado e um shootover. No solo, manteve as mesmas dificuldades de quando viajou a Moscou, mas com uma leve queda na execução. Por conta de uma cirurgia, foi desfalque na equipe dos Sul-Americanos em Santiago.
Maria Cecília Oliveira
Considerada uma das apostas do Flamengo para o Mundial da China, Cecília pode contribuir bastante com a equipe brasileira, levando em conta sua regularidade e potencial visível para o individual geral. Nas barras, tem boa postura e elementos de dificuldade, como a sequência de Maloney + shootover, Jaeger carpado e saída em duplo frontal. Na trave, potencial de 5.5 de partida, com entrada de mortal pra frente, tour jeté com meia-volta e duplo grupado de saída. No solo, apresenta uma série com DTG e outros dois duplos, já tendo treinado o Dos Santos e a ligação direta de mortal esticado + duplo grupado pra frente no tumbling. Convocada para representar o país na última edição do Sul-Americano Juvenil, foi impossibilitada de competir ao se lesionar durante a preparação em Sogamoso, Colômbia, dias antes da abertura do evento.
Jade Barbosa
Jade é, sem dúvidas, a ginasta mais importante do Brasil no Mundial esse ano. Jade teve um ano complicado em 2012, quando ficou fora das Olimpíadas, e em 2013, quando teve uma lesão que a deixou de fora do Mundial na Antuérpia. A ginasta não desistiu e continuou com os treinos, e recentemente foi campeã sul-americana no individual geral além de ser finalista em todos os aparelhos. No ano passado, Jade também competiu super bem na Copa do Mundo de Anadia, em Portugal, sendo campeã de salto e se classificando para as finais de trave e solo. A nota conseguida na trave na classificatória desse campeonato poderia tê-la colocada como finalista do aparelho no Mundial do ano passado. No Mundial desse ano, Jade tem chances de ser finalista de salto e individual geral, além de contribuir com a equipe nas notas de solo, trave e paralela. Ela ainda tem chances de aumentar sua nota D no solo, na trave e na paralela, usando apenas os exercícios que ela já faz com ligações adaptadas ao novo código.
Letícia Costa
Letícia foi uma das principais promessas do Brasil para as Olimpíadas de Londres, mas lesão após lesão a ginasta nunca apareceu no cenário internacional como deveria. Letícia mostrou seu verdadeiro potencial no ano passado, quando já tinha 18 anos e foi para o seu primeiro Mundial. A ginasta tinha um ótimo potencial quando era juvenil e já realizava um yurchenko com dupla pirueta, salto que não foi mais apresentado em competições importantes. Entretanto, o yurchenko com pirueta e meia que a ginasta apresenta atualmente mostra que existe altura de sobra para que o antigo salto volte a ser realizado em competições, o que seria importantíssimo para o Brasil esse ano. Letícia melhorou consideravelmente sua postura na paralela e pode melhorar ainda mais, assim como sua nota D. Na trave, surpreendeu á todos quando executou um twist parado no Mundial do ano passado, onde teve sua segunda melhor nota. No solo, apresentou um duplo twist carpado no fim do ano passado e tem muito potencial de evolução nesse aparelho. Esse ano conquistou o ouro no individual geral no WOGA Classic, e se mostra a cada dia como uma ginasta estável e necessária para o Brasil esse ano.
Texto de Cedrick Willian e Bernardo Abdo.
Foto: Ricardo Bufolin
Esse é o último texto de 2013/2014 da série ” O que a ginástica reserva”. Todo fim de ano faremos postagens sobre os maiores nomes que competirão no ano seguinte. O último texto será exclusivamente escrito sobre ginastas do Brasil.