Jogos de Tóquio: final por equipes masculina

O blog pode ter errado a previsão do pódio dessa final por
equipes, mas não errou dizendo que essa seria uma das melhores finais dos Jogos Olímpicos. Não deu
outra: o pódio foi definido apenas com os últimos ginastas nos últimos
aparelhos, numa final belíssima e emocionante.

Analisando friamente, fora os erros de Lin Chaopan no solo –
que chegou a pontuar 14.933 nas classificatórias do Mundial de Stuttgart – , a
equipe Chinesa definiu seu pódio na paralela, um aparelho antes da barra fixa
que era o último. As atuações dos chineses, que são sempre espetaculares nesse aparelho,
deixaram um pouco a desejar se comparado com as atuações deles mesmos. Foram
pequenos errinhos que foram somando e deixaram a nota de Zhou Jingyuan, por
exemplo, na casa dos 15.500. Só de ter pontuado como nas classificatórias,
acima dos 16 pontos, já dava o ouro para a equipe. Depois da paralela não tinha
muito o que fazer na barra fixa, o aparelho mais fraco deles. A China não levou
o ouro, mas era uma equipe superior sim ao Japão e Rússia.

A equipe japonesa lutou com tudo o que tinha e pouquíssimas
coisas poderiam ter sido melhores ou diferentes. Talvez o que o Japão realmente
precisa é de um investimento maior nas argolas, com séries que somem acima dos
14.500. Tem muito tempo, inclusive, que o Japão não consegue uma final olímpica
ou mundial nesse aparelho. Desde 2016 é certeza que não estiveram em nenhuma
final, faltando um grande nome para levantar a equipe. Daiki Hashimoto não competiu
na paralela, mas poderia ter feito um geral hoje que passaria novamente dos 88
pontos.

Rússia voltou ao pódio olímpico de forma merecida e com
uma história incrível. Ninguém acreditou que, 3 meses depois de ter rompido o
tendão de aquiles, Dalaloyan estaria em Tóquio, somando essencialmente para a
equipe, finalista individual geral e por aparelho. A presença dele foi imprescindível
para o que aconteceu hoje. A alegria foi dividida com dois veteranos que estão
segurando as pontas para a Rússia desde 2010 e construíram o caminho que
chegaram hoje: David Belyavskiy e Denis Abliazin.

Nikita Nagornny foi espetacular e somou 88,333 no individual
geral. Último ginasta a competir na final, quase não deu para acreditar que ele
mudou a série de solo de última hora, tirando o triplo carpado que leva seu
nome e optando por uma série mais simples com foco em execução. Conquistou
14,666 quando a equipe precisava de 14,533 para o ouro. Foi emocionante!

Grã-Bretanha e Estados Unidos repetem o 4º e 5º lugares
olímpicos já conquistados nos Jogos do Rio. As equipes masculinas sem encontram
mais ou menos no mesmo patamar hoje: a maioria corre para alcançar os EUA e GBR
enquanto EUA e GBR correm para alcançar o top 3. Talvez o trabalho mais difícil
seja dessa das equipes. Para integrar o top 3 é necessário, no mínimo, média
14,500 em cada um dos 6 aparelhos.

Curiosidade olímpica: o somatório das notas que os turcos fizeram
nas classificatórias deu um total de 214.921, já que não tiveram uma terceira nota
no solo, salto e barra fixa. Precisariam de uma média 10.857 para entrar na
final por equipes à frente da Ucrânia e média 13.613 para ficar à frente da Grã-Bretanha
em 4º lugar na final por equipes. Parece que temos uma equipe em ascensão e que
não vai ficar fora das próximas finais mundiais e olímpicas. O problema é que para
eles entrarem alguém vai ter que sair.

Previsão GBB – 1. Japão / 2. China / 3. Rússia. Inverte as ordens que está tudo certo!

Confira os resultados completos clicando aqui.

Texto de Cedrick Willian
Foto: Thomas Schreyer

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