Jogos de Tóquio: final individual geral masculina
28 de julho de 2021Jogos de Tóquio: previsão das finais por aparelhos
31 de julho de 2021Foi para esse momento que os fãs de ginástica viveram. A
vontade de sentir esse frio na barriga demorou muito tempo, e o tempo não é sobre os
últimos Jogos Olímpicos ou a última final que o Brasil participou: é sobre a
Rebeca inteiramente saudável numa final! O sentimento de hoje é o todos queriam
sentir com ela no Mundial de 2015, nos Jogos de 2016, no Mundial de 2017, 2018 e 2019. Uma
ginasta tão talentosa como a Rebeca só não deu esse frio na barriga antes por
conta das lesões.
As medalhas anteriores não vieram, mas o que o futuro
preparava era ainda mais brilhante: uma medalha olímpica! Estamos orgulhosos
porque finalmente um resultado físico e simbólico, representado numa medalha,
finalmente chegou para traduzir e mostrar para o Brasil e o mundo inteiro o
potencial e talento que ela tem. É consenso entre a maioria que em uma Rebeca
saudável continha as maiores chances do Brasil em conquistar medalhas durante o
ciclo que finaliza. Os resultados que ela tinha, até agora, são muito pequenos
perto de tamanha grandiosidade.
Com melhor cheng no salto, barra com ligação completa para a nota D de 6.3, trave segura e solo ao som de
baile de favela, Rebeca não perdeu o ouro: ela conquistou a prata! Fez uma competição
incrível, muito fria e tranquila, onde cada ponto contou para que ela pudesse
chegar no solo com condições de ser medalhista mesmo com duas penalidades. O orgulho não cabe no peito para um feito histórico e incrível!
Emoção à parte, vamos falar sobre técnicas: nota E de 7.966 para uma série de trave cravada como Rebeca fez? Uma série muito superior do que a que foi executada na
classificatória e uma nota bem mais baixa. Você pode dizer que a banca mudou da
classificatória para a final. Sim, realmente mudou, mas o código é o mesmo. O
Comitê Técnico Internacional da Ginástica Feminina precisa reavaliar o código de pontuação para
o próximo ciclo porque, de verdade, essas notas estão beirando o ridículo. Não dá
para entender para onde querem levar as séries de trave. A nota E de barras também foi duvidosa.
Dito isto, estamos todos muitos feliz com essa conquista.
Rebeca era A ginasta da final e sorte das concorrentes que ela tenha pisado
fora do tablado. A disputa dessa final era entre ela e ela mesma, e nessa disputa a medalha veio.
O efeito cascata que vem junto disso só faz bem para a nossa ginástica: o COB
direciona investimentos internos para ginástica; a CBG atrai mais
patrocinadores; a mídia entrega mais espaço em reportagens e campeonatos; o
esporte é amplamente divulgado; a procura das crianças aumenta e isso gera recursos
para os clubes e uma maior captação de talentos. Essa medalha significa MUITO!
Feliz pela Sunisa Lee, que também tem uma história bonita e
foi coroada campeã olímpica. Dava para sentir que ela também carregava o peso
da bandeira americana: desde 2004 todas as campeãs olímpicas são americanas. O
ouro all-around e por equipes já estava garantido com Simone Biles, que agora
não está competindo. O ouro por equipes já estava perdido. E o ouro all-around, como
ia ficar? Ela conseguiu e está de parabéns. Ainda acertou a série de barra mais uma vez, fazendo
ótima campanha para a final desse aparelho.
Angelina Melnikova provou que a maturidade e experiência
podem ser mais importantes que o talento. Essa russa é uma máquina, de verdade.
É impressionante que ela esteja tão inteira em mais um ciclo olímpico, assumindo
suas responsabilidades ao invés de deixar na mão das talentosíssimas Viktoria
Listunova e Vladislava Urazova, que devem ajudar a Rússia a fazer um ciclo de
sucesso. Força pra Melnikova, esperamos que ela continue forte até Paris 2024.
Resultados completos aqui.
Texto de Cedrick Willian
Foto: Gaspar de Nóbrega / COB