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Bela atuação do Brasil no Campeonato Pan-Americano
7 de junho de 2021
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Última parada antes dos Jogos
22 de junho de 2021A russa Tatiana Nabieva criou polêmica – algo comum entre as russas – ao criticar a quantidade de “nabievas” que estão sendo executados no mundo hoje. “Isso não é um Nabieva”, comentou em um vídeo no Instagram e a frase gerou repercussão.
Após o acontecido, a ex-ginasta acabou postando em seu Facebook um texto, praticamente explicando como se faz um “nabieva” e como ela trabalhou com seus treinadores para conseguir refinar o elemento. Disse ainda que gosta de precisão e execução correta (leia o texto em inglês na íntegra), e que não era para levar o post com negatividade.
A questão é que não tem como olhar para essa fala sem perceber uma certa arrogância inútil. A verdade é que a maioria do mundo admira a ginástica russa sim!, pela sua beleza e estética inegáveis, mas não é sempre que isso acontece. E nem por isso aparece as “donas” dos elementos criticando a forma como as novatas estão fazendo.
Fosse o caso, a romena Simona Amanar teria aparecido em 2010 e criticado a própria Nabieva com um simples comentário: “Isso não é um amanar”. A saída do yurchenko da russa não tinha a precisão e execução correta que ela disse que preza, basta conferir a foto que estampa esse texto. No segundo voo, a ginasta que trabalhou duro com seus técnicos para fazer um movimento estendido na paralela, quase chega à posição grupada.No fim começou a ter problemas até para finalizar os dois giros e meio, deixando os juízes com dúvida.
Analisando friamente, o amanar da Nabieva esta a anos-luz de distância de Simona em comparação do elemento nabieva da própria Nabieva com a belga Nina Derwael que, pelo amor de Cristo, está sendo criticada por carpar o elemento. Pra refrescar a memória: Nina é bicampeã mundial de barras assimétricas, campeã europeia e principal candidata ao ouro olímpico nos Jogos de Tóquio.
Esse comentário da Nabieva – e sua justificativa- foi tão desnecessário quanto o que Valentina Rodionenko fez no fim de abril, dizendo: “Tire a Simone da equipe que venceremos os Estados Unidos facilmente”. Agora me responda: Simone Biles tem culpa de ser excepcional? Quem garante que se ela tivesse nascido na Romênia, no Canadá ou na Rússia teria tido o mesmo sucesso? Ok, tire Simone da equipe americana. E coloca em qual? Isso é o mesmo que um treinador da China dizer: “Tire Vitktoria Listunova da equipe que venceremos a Rússia facilmente”. Não faz sentido algum criar cenários e comentários tão desnecessários.
Cada país usa as armas que tem, compete com o atleta que formou e com os elementos que treinou. A equipe, lapidação de um grande talento e a base técnica é dever do país e seus treinadores enquanto o julgamento das séries e elementos é dever dos árbitros. Ponto final.
Texto de Cedrick Willian
Foto: Samantha Crawford / Still Sport