Hungria retorna à elite da ginástica feminina

Depois das medalhas olímpicas e mundiais de Henrietta Onodi em 1992, e do nono lugar por equipes nos Jogos Olímpicos de 1996, a Hungria ficou praticamente esquecida no mapa da ginástica mundial. Inesperadamente as coisas mudaram: com a ginasta Zsofia Kovacs, que acaba de ser medalha de prata no individual geral do tradicional Campeonato Europeu, o país novamente ganha o respeito que permeou a ginástica húngara por alguns momentos. Bem direcionado, o momento atual pode ser aproveitado para ganhos ainda maiores.

Não só de Kovacs vive a atual ginástica do país: Blogarka Devai, no mesmo Campeonato e com um belíssimo yurchenko com dupla pirueta, acabou conquistando o bronze no salto sobre a mesa. Entretanto, não podemos nos esquecer quem abriu o caminho de volta ao topo.

Desde 2007, ano em que entrou para a categoria adulta, Dorina Boczogo compete em Copas do Mundo e Campeonatos Mundiais, tendo se classificado para os Jogos Olímpicos de 2008 e 2012. Logo após aparece Noemi Makra, com perfeitas linhas ginásticas, em 2013, conseguindo uma boa colocação no individual geral do Mundial da Antuérpia (14°) e o ouro nas barras assimétricas no Gymnasíade do Brasil, Também foi medalhista em várias etapas da Copa do Mundo e participou do Evento Teste do Rio de Janeiro.

Em 2016 foi quando Kovacs entrou para a categoria adulta, e chegou com uma maturidade e elementos impressionantes. Também participou do Evento Teste e acabou sendo a selecionada para representar o país nos Jogos Oímpicos do Rio de Janeiro. Com duas quedas nas classificatórias acabou não conseguindo vaga para a final individual geral, onde poderia ter facilmente finalizado a competição entre as 15 primeiras. Um ano antes foi quando Blogarka Devai entrou para a categoria adulta e, apesar de estar apresentando melhoras nos outros aparelhos, é no salto onde consegue realmente um alto nível de ginástica.

Talvez esse seja o momento da comissão técnica do país pensar em formar uma equipe realmente competitiva. Aproveitando o embalo do sucesso de Kovacs e Devai no Europeu, e o fato de que, até onde se sabe, Dorina Boczogo e Noemi Makra não anunciaram suas aposentadorias, o ciclo pode ser interessante para firmar uma equipe. Esse é o momento de captar patrocinadores e investir mais nos atletas, treinadores e locais de treino.

Realmente é uma pena que Boczogo e Makra não conseguiram traduzir em resultados maiores a ginástica que possuem. No Mundial de Glasgow, em 2015, Makra esteve perfeita nos treinos. Treinada por Alina Kozich, a equipe do Gym Blog Brazil assistiu os treinamentos de Makra e ficamos impressionados com a qualidade técnica e beleza dos elementos da ginasta. Tanto Boczogo como Makra precisam trabalhar na confiança e no acerto de suas séries, porque já possuem bons elementos e boa dificuldade; essa firmeza na hora de competir é o que falta para finalizarem com uma boa nota.

Lideradas pelo sucesso de Kovacs e pela experiência de Boczogo, Makra e Devai completariam uma equipe que precisaria de apenas mais uma ginasta (talvez Luca Diveky) para um bom resultado. A equipe húngara já conseguiu, no ano passado, se classificar para a final do Europeu, onde terminou em 8°. Agora com dois yurchenkos com dupla pirueta, com o individual geral de Kovacs, e potencial das outras ginastas para notas na casa dos 13 pontos (e quem sabe um possível 14 para Makra nas assimétricas), essa equipe pode melhorar o resultado até 2020.

Assista algumas boas séries da Hungria, apresentadas no final do último ciclo olímpico até o momento de sucesso atual.

Zsofia Kovacs

Dorina Boczogo

Boglarka Devai




Noemi Makra

Post de Cedrick Willian

Foto: Divulgação

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