Entrevista GBB com Arthur Akopyan, técnico da ginasta McKayla Maroney

Fim da quarta subdivisão classificatória da ginástica feminina no mundial da Antuérpia. McKayla Maroney, depois de aproximadamente 14 meses sem competir no individual geral, uma olimpíada, duas cirurgias, uma infecção hospitalar, e 15 minutos de fama por causa de uma careta, compete no individual geral.

Tudo começa no solo, onde faz uma série linda e cativante, mas não recebe a nota esperada. Segue com dois saltos simplesmente fenomenais. Acerta seu pior aparelho, as paralelas. E comete falhas em sua série de trave, que lhe deixam fora da final do individual geral, e pior que isso, lhe deixa decepcionada por não ter a melhor performance possível. Corro para a zona mista, onde fotógrafos e repórteres se encontram com os atletas para entrevistas e fotos. Ao chegar, a ginasta já está cercada por jornalistas, e logo ali no cantinho, um homem com o semblante um pouco triste segura a mochila, tênis, e jaqueta da sua atleta. O nome dele é Arthur Akopyan, um ex-atleta da união soviética, multi medalhista no cenário internacional da ginástica, e campeão mundial de salto em 1983. Esse homem é o treinador da também campeã mundial que está sendo entrevistada logo ali. Enquanto ele espera, eu lhe chamo para conversar, meio sem acreditar que ele me daria alguma atenção. Contrariamente, ele me cede uma entrevista, muito acessivelmente.

GBB: Essa é a primeira competição individual geral da McKayla em muitos meses, como você se sente?

AK: Eu estou feliz. Ela não competia no individual geral há muitos meses. Ela teve muitos problemas logo antes dos jogos de Londres, e também depois, com as cirurgias. Então ela esteve fora do individual geral por muito tempo, mas ela trabalhou duro e conseguiu essa oportunidade de competir aqui. Poderia ter sido melhor. Eu esperava uma boa performance dela na trave, mas tudo bem.

GBB: A nota de solo da McKayla lhe pareceu um pouco baixa?

AK: Sim, pareceu sim. Eu achei que a nota foi baixa, mas não consegui ainda compreender o porquê. Ela teve uma dedução de 0.1 e eu não consegui perceber onde (PARECE QUE FOI POR PASSAR 1 SEGUNDO DO TEMPO NA MÚSICA). Mas vamos analisar, e ver tudo que precisamos corrigir.

GBB: Ela teve a mesma nota que a Kyla…

AK: Sim mas a execução desempatou, vamos observar, mas esperava uma nota melhor.

GBB: Você planeja aumentar a dificuldade do segundo salto para o futuro?

AK: Sim, estamos trabalhando em saltos mais difíceis para o futuro.

E assim foi minha conversa com essa lenda da ginástica, muito educado e profissional. Logo em seguida, Martha Karoly chega e já logo diz a ele, “você não tem porque se sentir triste, ela foi linda, o seu solo, sua dança, passou bem no salto e na barra. Eu gostei muito do que vi…”, e a conversa continuou entre eles sem que eu fosse capaz de compreender. Momentos depois, McKayla vem das entrevistas, já com os olhos cheios de lágrimas, e as duas pernas envolvidas por bolsas de gelo, e diz para Martha: “Obrigado pela oportunidade, por tudo que fez por mim, e por acreditar em mim”, e Karoly a conforta com palavras de encorajamento, e diz “que está feliz com seu desempenho, e que não quer vê-la triste”. Elas conversam mais um pouco sem que eu consiga perceber o que dizem. Mas foi um dos momentos que ficarão para sempre na minha memória nesse mundial.



É interessante poder ver de perto como essas meninas e treinadores, que parecem tão inatingíveis, se comportam com seus sucessos e fracassos. No fim, são pessoas, como eu e você. Apenas são extremamente bons em uma atividade específica. Nesse caso, ginástica artística, esse lindo esporte que tanto amamos. É muito fácil ficarmos por trás de um computador apontando os defeitos dessas pessoas. No calor da nossa emoção e paixão por esses indivíduos, falamos muitas asneiras. Mas nunca se esqueçam: são apenas meninas. Meninas.

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