No final da manhã de sábado, no dia 09/04 e após um mega treino, o ginasta Sérgio Sasaki recebeu o Gym Blog Brazil no ginásio do Clube de Regatas do Flamengo. Sasaki acaba de conquistar um ouro, uma prata e um prêmio Revelação na Copa do Mundo de Doha, no final do mês passado. A simplicidade de Sasaki mostra que todas as suas conquistas não lhe subiram à cabeça. Com muita educação e simpatia, ele falou sobre essas conquistas, sobre o namoro com a ginasta Bruna Leal e sobre os planos para uma carreira que não vai se encerrar tão cedo. Assim esperamos.
GBB: Você, com apenas 17 anos, conseguiu ser campeão Pan-americano Juvenil, além de ajudar o Brasil a conquistar o ouro por equipes em cima dos Estados Unidos. Você considera este o seu melhor resultado na ginástica?
SS: Não, eu acho que o meu maior feito na ginástica foi ser 19º colocado no individual geral do Mundial de 2009. Pra mim é o resultado mais importante que eu tenho já que nenhum brasileiro conseguiu essa classificação ainda, e eu, com 17 anos, fui finalista no Mundial. Isso foi 3 meses antes do Campeonato Pan-americano. Logo depois do Pan, eu competi no Gymnasiade, no Qatar. Essa competição também foi muito importante. Eu vejo essas três competições, O Mundial, o Pan e o Gymnasiade, como as mais importantes da minha carreira, as que eu mais dou valor. Mas a mais importante é, sem dúvidas, o Mundial de 2009. Agora tem também a medalha de ouro na Etapa da Copa Do Mundo no Qatar, que foi incluída nos resultados mais importantes da minha carreira.
GBB: Em Doha, além de ganhar o ouro no salto, você ganhou a prata no solo e o Troféu Revelação do campeonato. Tinham mais atletas da sua idade competindo, e que também poderiam conquistar o troféu?
SS: Então, esse Troféu Revelação funciona assim: ele é dado para o atleta mais novo que já tenha conquistado uma medalha de ouro. Se eu não tivesse ganhado uma medalha de ouro eu não ganharia o prêmio. Esse prêmio só acontece quando você ganha uma medalha de ouro. Poxa, eu fico feliz em ser o atleta mais novo da competição a ganhar o ouro mesmo competindo com o campeão olímpico, Zou Kai, da China.
GBB: Seu primeiro salto teve nota de partida 17. O segundo, 16.2. Você está trabalhando em um segundo salto de valor mais alto?
SS: Isso é um assunto que preocupa ao meu técnico (Renato Araújo) e a mim. Eu tenho a dupla pirueta e meia, vindo do Tsukahara, de valor 6.6. Só que queremos chegar num segundo salto 17. Pra essa competição, não precisava de mais do que fiz: dava pra ganhar com a dupla pirueta, garantir a medalha e não forçar o erro. Estamos procurando fazer outro salto 17 ou 16.8.
GBB: Seria o duplo carpado para trás?
SS: A gente pensa em treinar o duplo e já estamos treinando o Nemov com dupla pirueta. Acho que o Nemov dá pra sair. Tsukahara com duplo mortal é um é um salto muito preciso e esse ano é difícil de colocar em uma competição pré-olímpica. É um salto que precisa de um tempo maior de trabalho, até mesmo anos. Dar o pontapé inicial pra esse salto, agora, eu acho que vai ser um pouco difícil, mas estamos trabalhando sim em um segundo salto mais forte.
GBB: Com dois saltos de nota de partida 17 é mais provável de entrar em uma final num Mundial. Pra Doha, 16.2 dava pra entrar pra final tranquilo…
SS: Para o Mundial, acredito que com um segundo salto, com valor 16.6, eu consiga entrar pra final. Porém, eu tenho que executar ele muito bem, tenho que fazer perfeito. E aí, depois que entrar na final, tudo pode acontecer. O 8º pode ser o 1º, tudo acontece! O primeiro passo é conseguir entrar, e eu quero entrar indiscutivelmente! Quero ter o segundo salto 17 sim! Ou 16.8, que é o Nemov com dupla. Ginástica é experiência também. Pra essa olimpíada eu tenho que chegar com calma, tenho que tentar, primeiramente, ir com a equipe completa, e, depois disso, eu pretendo treinar muito e manter dois saltos 17 até 2016.
GBB: Você também está trabalhando forte nos outros aparelhos, pra conseguir entrar novamente numa final e ter um resultado melhor que o 19º já conquistado?
SS: Minha especialidade é o individual geral, eu faço os 6 aparelhos bem. Eu pretendo conquistar minha vaga pra Olimpíada dessa forma, e é isso que eu quero. Depois que eu chegar na Olimpíada, quero tentar entrar na final do salto, do solo, mas o que eu mais quero é poder conquistar uma final olímpica no individual geral.
GBB: O auge da carreira do ginasta masculino não acontece na sua idade. Você está bem novo, e pode conseguir melhores resultados do que você já tem.
SS: Eu quero estar em tudo, eu quero competir tudo o que eu puder, até onde eu puder. Quero sugar tudo que eu puder da ginástica; eu vou ficar, eu vou estar aí. Não vou desistir, até porque eu sobrevivo disso. A ginástica é o meu ganha pão. Eu moro no Rio por causa disso: pelo esporte, pela ginástica. Eu não sei viver sem o esporte, então eu tenho que dar o meu melhor. A Olimpíada é o foco principal, é o máximo que um atleta pode obter do esporte: ser um campeão olímpico, e eu treino pra isso.
GBB: No masculino, o Brasil nunca chegou tão perto de conseguir classificar uma equipe completa para as Olimpíadas. Você acha que o Brasil vai conseguir ou ainda vai faltar um pouco?
SS: Eu acho que precisa de bastante trabalho. A princípio, nós queremos ficar em 14º, 13º, pra podermos nos classificar para a repescagem. Espero que a gente consiga um resultado melhor e entre para a Olimpíada. Esse ano temos chance, mas tem que ter trabalho e pé no chão pra conseguir levar a seleção para frente e não queimar etapas, tentando não se machucar, treinando certinho…
GBB: As lesões foram o problema do ano passado…
SS: O problema do ano passado foi que muita gente se machucou: eu, Arthur, Victor, Diego… Os atletas principais estavam machucados, então, não tivemos tanta estrutura na seleção. Esse ano todos os atletas estão ‘inteiros’. Temos que segurar todos saudáveis até o Mundial, focar nos treinamentos, manter todo mundo na linha, principalmente agora, na Alemanha (a seleção masculina chegou ontem, dia 24/04, desse treino feito na Europa).
GBB: A motivação da equipe está boa para passar essas duas semanas treinando juntos no Ginásio da Spieth, na Alemanha?
SS: Esse treinamento vai ser importante porque temos que mostrar que estamos bem, todos os dias. É um treino onde estarão todos os técnicos e vamos ter que provar porque estamos na equipe. Atleta de seleção tem que provar toda hora que é “o cara”, que merece estar na equipe, representando o Brasil. Esse treino vai ajudar bastante, vai motivar todos a treinar pelo seguinte motivo: você é da seleção brasileira de ginástica, você está dentro da equipe e quer estar entre os 6 principais ginastas no Mundial. Para mim, essa é a maior importância do treino na Alemanha.
GBB: Atualmente você está namorando a ginasta Bruna Leal. Como é o relacionamento de vocês dentro do esporte, já que ela conhece tão bem a realidade da ginástica como você?
SS: Ela é a minha maior companheira nisso tudo. É a pessoa que eu devo grande parte de tudo o que eu vivo. Ela me entende, entende a vida que eu tenho, leva a mesma vida que eu, sabe como é difícil, mas mesmo assim me motiva. Eu não sei viver no meio do esporte sem ela, sem tudo isso. Além de ser minha namorada, ela é minha companheira, minha amiga, minha parceira…
GBB: Só atleta entende atleta, e as pessoas que mexem com ginástica mais ainda. Possuem um amor muito grande pelo esporte e acabam não sendo compreendidas. Tem momentos em que todos vão jantar, vão ao cinema, e você tem que ficar no ginásio treinando.
SS: Será que uma namorada que não pratique ginástica ou outro esporte entenderia isso? Não é desculpa pra não sair, não encontrar. Eu sempre tenho que treinar, treinar, treinar… E isso é completamente compreensível da parte dela, porque ela também vive essa rotina.
Por Cedrick Willian
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