Entrevista com Georgette Vidor, coordenadora técnica da seleção feminina de ginástica artística. A conversa aconteceu na Copa do Mundo de Ginástica, etapa de Portugal, onde o colaborador Lucas Rodrigues pode nos informar, em primeira mão, a vinda de Alexandrov para o Brasil, fato que se oficializou ontem.
Nesta conversa, Georgette revelou alguns dos planos para a formação de uma equipe forte para os próximos mundiais e para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Confira
ALEXANDROV
Georgette informou que ele viria e agora ele está aqui. “O COB teve dificuldades na negociação com ele pois não é da noite pro dia que você deixa seu país para se mudar, e claro, ele primeiro precisava ver como ia ficar sua situação na Rússia. Ele com certeza preferia continuar lá. Porém, apesar de não saber exatamente o que houve, ele optou por vir para o Brasil.”
A DEMORA
“Por mais que a gente pense que o Brasil é uma bagunça, não é nada fácil você conseguir um visto de trabalho, e o processo foi feito o mais rápido possível e apenas agora conseguimos tudo. Então juntou essa questão burocrática com o tempo que ele teve para se decidir, mas ele deve chegar por volta do dia 15 de julho (informação confirmadíssima) já para iniciar o trabalho.”
O PLANO DE TRABALHO
“O sistema de treinamento será feito da seguinte maneira: enquanto não fica pronto o Centro de Treinamento que irá substituir o antigo, que ficava no velódromo, vamos trabalhar em Três Rios, pois é um bom ginásio. Não é excelente, mas é o que temos no momento. Lá estará o Alexandrov e a Margarita (coreógrafa bielorusa esposa do Vladimir Vaktin, treinador da seleção masculina. Ela trabalhou a parte coreográfica com as brasileiras na concentração para o Evento Teste em Londres, com resultados muito bons na qualidade artística).
Além dos dois, serão convidados treinadores para que possamos formar um grupo forte. Esses treinadores são os que possuem ginastas na seleção, como a Keli, Francisco e Ricardo (Flamengo); Alexandre e Juliana (QUALIVIDA); Roger Medina (Barueri); Oleg ou algum outro treinador de Curitiba (CEGIN) e a Adriana Alves (GNU).
Acredito que será difícil a liberação do Oleg por parte do CEGIN, mas se ele vier será muito bem-vindo. Outra dificuldade será o Roger, pois o Barueri está dificultando a saída dele também. A Adriana também não sei como vai ser em função das obrigações dela com o GNU.
Esses treinadores que vierem trabalhar conosco em Três Rios, serão treinadores da seleção brasileira. O que não significa que os treinadores e ginastas que não estiverem alojados em Três Rios não possam integrar a seleção, pois haverão as seletivas que serão realizadas nos “campings”, no estilo do programa dos Estados Unidos. Então, uma ginasta de Curitiba assim como qualquer outra de qualquer clube, treinando ou não em Três Rios, deverá se apresentar nos campings e, de acordo com seu desempenho, poderá integrar a seleção e participar das competições internacionais.
A ideia para os treinadores que estiverem em Três Rios é que façamos um trabalho conjunto onde todos possamos crescer. Algo que me preocupa profundamente é ter esse mestre da ginástica trabalhando aqui e perder a oportunidade de aprender com ele. Não sabemos o que vai acontecer ao fim do contrato, então precisamos que nossos treinadores aproveitem ao máximo a estada dele por aqui. Estamos preocupados não só em termos boas ginastas. Com a passagem dele por aqui, a nossa preocupação talvez até maior, seja que cada vez mais tenhamos treinadores capazes de continuar o trabalho dele.
Outra coisa: os treinadores precisam estar com suas atletas. Não adianta pegar as melhores meninas do Brasil e formá-las maravilhosamente. E depois? O tempo delas passa, e os treinadores não aprenderam nada. Não cresceram com elas, e não vão se motivar a continuar trabalhando com ginástica. A incapacidade de formar atletas de altíssimo nível continuará no Brasil.
O foco do trabalho são as meninas com idade e condições de competir em 2016 mas, fazendo esse trabalho com os treinadores, poderemos colher mais e mais frutos a longo prazo.”
O CHEFE
“Alexandrov será o coordenador de tudo. Ele irá planejar todo o treinamento, toda periodização e planejamentos de competições, e irá guiar os outros treinadores. Por exemplo, ele vai planejar os elementos a serem trabalhados para as séries e vai auxiliar os treinadores a alcançarem essas metas com as ginastas.”
O GINÁSIO
“O Centro de Treinamento da ginástica ainda não saiu por quê? Porque o COB quer fazer um grande centro com toda infraestrutura para atender a ginástica e diversas outras modalidades. Será um grande centro de excelência nacional. O projeto é espetacular, mas a dificuldade não é o dinheiro para executar, mas sim encontrar um espaço no Rio de Janeiro grande o suficiente para abrigar isso tudo. E este tem sido o empecilho, o que nos incomoda muito, pois o Centro de Treinamento do velódromo era espetacular, perfeito, de altíssimo nível mesmo.”
MUNDIAL DE 2013
“Ainda precisaremos contar apenas com as nossas veteranas. É bem provável que a equipe seja Adrian, Jade e Daniele. E a expectativa de resultados é uma final de salto para a Jade e talvez uma final individual geral (não necessariamente para a Jade).”
MUNDIAL DE 2014
“Para 2014 teremos algumas juvenis que terão subido, mas não serão muitas: Mariana Valentin, Lorrane e talvez a Daniela (Barueri) são nomes para 2014.”
MUNDIAL DE 2015
“Esse é um mundial decisivo para nós e espero que seja um ano muito bom, pois teremos várias meninas muito promissoras como a Rebeca, Milena, Flavia, Ana Flavia e a Mariana, todas elas subindo de categoria.”
JOGOS OLÍMPICOS 2016
“Para 2016 temos também a Tamires…”
CONSIDERAÇÕES SOBRE AS GINASTAS
Jade Barbosa
“A Jade está me impressionando. Ela está demonstrando gosto pela ginástica, muita vontade de melhorar. Ela ainda está fora do peso, mas se conseguir chegar na forma ideal, ela ainda pode realizar muitas coisas. Estou muito feliz com a competição dela aqui (Anadia). Se amanhã ela ganhar medalha, vai ser incrível pra ela em termos de motivação (e ela ganhou). Ela está tirando notas que não tirava a tempos, fazendo mais de 14 na trave, por exemplo.”
Letícia Costa
“Eu gosto muito dela, ela estava vindo muito bem depois de todas as lesões. Estava saltando yurchenko com dupla, mas aquela lesão novamente no pé é muito preocupante. Então não sei o que vai ser.”
Lorrane dos Santos
“Lorrane está muito bem. Ela tem a linha muito linda e é forte, salta bem e faz solo bem, além de ser boa na paralela.”
Mariana Oliveira
“Ela é muito boa, muito forte, graciosa e flexível. Pena a paralela dela não ser boa, ela enfrenta muitos medos nesse aparelho, mas salto, trave e solo são muito bons.”
Brenda Brito
“Estou preocupada com o futuro dela, pois ela teve uma lesão muito séria no joelho.”
Flávia Saraiva
“Ela é uma graça. Tudo que ela faz é pra valer, pé na cabeça é de verdade, johnson com meia, por exemplo, não tem como não valer. É tudo muito limpo, muito bem feito. Ela está com uma trave cada vez melhor, tirou uma nota muito boa em Ipswich, e no solo ela caiu na dupla e meia. O público todo gritou “Ahhhh…”, porque ela estava encantando todo mundo, estava divina dançando. Uma pena o que aconteceu, mas ela é uma ginasta linda. Em Houston, no começo do ano, ela competiu mais para experiência mesmo e estava fora de temporada, mas agora ela está chegando.”
Rebeca Andrade
“A Rebeca é impressionante, tem muita força e explosão, está pontuando cada vez melhor e saltou amanar em Ipswich.”
Ana Flavia
“Ela é uma das melhores, ela é excelente, mas precisa melhorar um pouco o psicológico. Gosto muito dela.”
Nota do colaborador Lucas Rodrigues
Pessoal, foi essa minha conversa com ela. Achei muito legal a questão do investimento em um legado. Os treinadores que trabalharem com o Alexandrov serão extremamente beneficiados, e com o tempo eles também poderão espalhar esses conhecimentos para outros novos treinadores pelo Brasil. Acredito que a base de uma ginástica forte no futuro esteja essencialmente nos treinadores. Espero que tenham gostado e desculpem o atraso…