Domínio estadunidense na ginástica artística feminina? – Parte 1


Na ginástica artística feminina podemos
identificar um quarteto de países considerados já tradicionais no esporte –
alguns mais que outros – mas que, em linhas gerais, alcançaram um nível
elevadíssimo. Trata-se da Rússia (a principal herdeira da antiga URSS), da
Romênia, da China e dos Estados Unidos. Cada um desses países tende a seguir
certo padrão no esporte, como por exemplo, o biotipo das atletas, destaque em
certo(s) aparelho(s), artisticidade, etc. Por exemplo, a Romênia é
caracterizada por formar ginastas carismáticas, de baixa estatura, ágeis e
potentes, tendo se destacado, especialmente, em aparelhos como trave, salto e
solo. Já as chinesas tendem a transmitir um tom de seriedade, porém carregado
de expressão artística; em sua maioria, são atletas magras e também pequeninas,
de aparência frágil e delicada, mas que têm uma capacidade tremenda de trabalho
dentro da técnica de cada exercício e conseguem apresentar séries com postura
quase impecável, especialmente na trave e nas barras paralelas. Enquanto que as
russas (note-se que quando me refiro às russas também deixo implícitas as
memoráveis ginastas soviéticas) tradicionalmente apresentam linhas corporais
mais alongadas e elegantes, tendo como traço mais marcante a beleza e
capacidade artística inconfundíveis, aliadas a séries difíceis. Essa escola tem
como aparelhos de destaque o salto, o solo e, mais recentemente (últimos 20
anos), atingiu um desenvolvimento muito característico nas barras.  Por
fim, os Estados Unidos, que foi o último país a conquistar um lugar nesse
seleto grupo e começou a trilhar seu caminho de sucesso de maneira meteórica,
geralmente tem ginastas de estatura maior e com uma estrutura corporal
aparentemente mais forte, com muita potência e facilidade acrobática incrível.
Graças a isso, as americanas são conhecidas hoje por apresentarem séries com
valor de dificuldade altíssimo e consistência absurda. Elas trabalham muito bem
no solo e na trave, mas, ultimamente têm mostrado um progresso singular no
salto sobre a mesa. É importante observar que cada uma dessas escolas tem seus
elementos idiossincráticos que as distingue e isso, sem dúvida, dá um ar todo
especial às competições. Apesar de ter minhas preferências individuais, e é
normal que os admiradores desse esporte se identifiquem mais com determinada
escola, é igualmente importante ter em mente que essas características únicas
de cada modelo não os tornam melhores ou piores que os demais, mas sim
diferentes. São essas diferenças que dão graça ao esporte!

Feitas essas
considerações iniciais, necessárias ao debate que vou propor nesse post, quero
encaminhar a discussão para o fim devido: Os Estados Unidos, mesmo sendo o
último país a entrar nesse quarteto e, portanto, tendo um desenvolvimento
tardio nesse esporte, já pode ser considerado como a principal potência da
ginástica atual? Lembre-se que essa posição foi ‘digladiada’ entre Romênia e
URSS por muito tempo e, na realidade, nunca se chegou a um consenso se houve
uma superioridade, quer seja romena, quer seja soviética. Estaríamos
testemunhando uma supremacia inédita e absoluta nesse esporte, sob a liderança
dos EUA? Eu arriscaria dizer que sim, e vou mostrar as razões.

Primeira parte do artigo de Fabiano Araújo “Domínio estadunidense na ginástica artística feminina?”

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