Confira a análise das últimas finais da ginástica em Londres: paralela, trave, barra fixa e solo feminino.
Paralela
Zhe Feng conquistou o ouro com a nota de partida mais alta da competição: 7 pontos! Ainda conseguiu nota de execução 8,966, que pode ser considerado uma série muito boa. A China tem tradição nesse aparelho, que é um dos aparelhos que o país ainda executa com boas posturas de verdade. Não sei o que aconteceu, mas a ginástica masculina da China não está tão bonita quanto antes. Não foi o caso dessa série de paralela, que foi muito boa! Ouro merecido: 15,966.
Marcel Nguyen foi mais perfeito que Feng e conseguiu nota de execução 9! A série partia de 6,8 e a nota final foi de 15,800. A parte da série que mais me chamou a atençã foram os trocos, muito bem feitos no momento em que o ginasta estava bem à parada! Excelente!
Hamilton Sabot pode ter sido o ginasta que saiu mais feliz dessa final. Ele conseguiu um inesperado bronze nessa final. Saiu com a única medalha da França! A França poderia ter saído com mais uma medalha de Londres se não tivesse acontecido tragédia que foi a lesão na perna do ginasta Thomas Bouhail. Youna Dufournet também era um potencial de medalha na final de paralela, mas não conseguiu chegar a final.
Essa final de paralela foi muito disputada. Apenas o chinês Zhang Chenglong teve erros graves e não consegui passar dos 15 pontos. O mexicano Daniel Corral era esperança de medalha para o México e conseguiu uma boa nota, mas não o suficiente para medalhar nessa final. Conseguiu a 5ª colocação, com 15,333.
Confira os resultados completos.
Trave
Não gostei dessa final de trave, e isso não foi pelo resultado final em si. Aconteceram muitos erros e, por isso, a final não teve nada de emocionante. Gosto de finais em que todos os ginastas acertam as séries, e quem fica com o ouro realmente é o melhor! A melhor final de trave olímpica dos últimos tempos é a final de 2000, final em que não houve nenhuma queda.
Deng Linlin não esperava ser campeã de trave, apesar de todo o potencial. Agora, Sui Lu, essa sim esperava… e fez série de campeã! Na minha opinião, Sui Lu só não levou o ouro porque foi a primeira a se apresentar. E Catalina Ponor só não levou sua medalha porque desequilibrou demais…
Ponor entrou para essa final com as mesmas chances que entrou para a final de trave de 2004: ouro! Ela mesma se avaliou de forma negativa nessa final. Ela disse que sentiu a pressão e o nervosismo da competição e não fez a melhor série que podia, assim como Aly Raisman.
Raisman também tinha chances de ouro, e também não fez a melhor série da sua vida. Errou na final do individual geral e errou na final de trave também. Depois de uma revisão de notas, terminou empatada com Ponor e levou a melhor no critério de desempate (maior nota de execução).
Larisa Iordache…o que dizer sobre essa pequena estrela? Prefiro nem comentar a participação dela, que não foi as melhores. Sei que ela estava lesionada, assim como eu sei que ela ainda terá seu momento de glória.
Ksenia Afansyeva passou pela final de trave, com uma apresentação tipo: “ok, próxima”. A classificatória foi bem diferente. Outra segurança, outro brilho.
Viktoria Komova decepcionou. Caiu, fez carão e saiu de mais uma final sem medalha, assim como Gabrielle Douglas. As duas morreram depois do individual geral.
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Barra fixa
Epke Zonderland não era certo para essa Olimpíada. Não foi medalhista no Mundial passado e estava disputando a vaga holandesa nos Jogos com Jeffrey Wammes. Wammes sofreu uma lesão e a vaga oficialmente passou a ser de Zonderland. Ele abraçou a oportunidade, se classificou em primeiro para a final e manteve a posição. Juntamente com Zou Kai, Zonderland tinha a maior nota de partida da final: 7,9!
Enquanto Zonderland conquistou sua medalha de ouro com exercícios super arriscados, Zou Kai garantiu a medalha de bronze com largadas mais simples, mas com giros e stalders bem executados. Conseguiu elevar a nota de partida dessa forma, mas acabou perdendo para Fabian Hambuechen, que ficou com a prata.
Hambuechen foi o único alemão a entrar para uma final individual além de Marcel Nguyen e, assim como ele, Hambuechen também conquistou sua medalha. Esse ano foi o ano em que Hambuechen conseguiu, de fato, recuperar totalmente de suas lesões. A torcida agora é para que ele se mantenha assim, e continue sendo o bom ginasta que sempre foi.
Pouco menos 0,3 foi o que separou Zhang Chenglong (4º colocado) de Zonderland. Os 4 primeiros ginastas dessa final estavam com a nota de partida muito próximos. E foi justamente a nota de partida mais baixa que deixou Danell Leyva de fora do pódio.
Leyva teve a mesna nota de execução de Zonderland (8,633), mas a nota de partida foi 0,7 mais baixa. Com um pouco mais de dificulade Leyva teria conseguido um bronze.
Jonathan Horton fez uma excelente série, mas com a nota de partida 1,1 mais baixa que o campeão da prova, era praticamente impossível estar no pódio. Emin Garibov e Jihoon Kim arriscaram um pouco mais, mas os erros tornaram impossível uma melhor colocação.
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Solo feminino
Aly Raisman é a campeã olímpica, mas não são todos que ficaram satisfeitos com isso. Eu não posso defendê-la a ponto de dizer que a série dela foi a mais bonita, mas eu posso dizer que a prova dela foi a mais correta. Raisman e seu treinador abusaram do código de pontuação e exploraram ao máximo o potencial que ela tinha para esse código. Raisman tem bonificação em quase todas as passadas que executa! Coreograficamente ela não é boa, mas isso não é um quesito que seja tão valorizado pelo código de pontuação. Os descontos para parte artística são um pouco subjetivos, depende de cada juiz. Na maioria das vezes as ginastas conseguem cumprir o que o código pede e não são despontuadas. Então, não adianta nada ficar revoltado (a), pensando que ela não deveria ter ganho por que ela mereceu sim! As passadas foram incríveis e muito bem cravadas. E Raisman ainda vai medalhar muito no solo no próximo ciclo, já que essa mesma série terá um valor maior no próximo código de pontuação.
Catalina Ponor não apresentou o tsukahara esticado. Juro que fiquei esperando! E um salto de dança no final da tripla pirueta também teria sido interessante. Isso teria aumentado um pouquinho a nota de partida e as chances de ganhar de Raisman. O bom das romenas é que elas são a dose exata de americanas e russas: boas acrobatas e boas artistas! A campeã olímpica de 2004 saiu de 2012 com uma prata. Ponor foi quase perfeita. Ela conseguiu 9 pontos de execução, que foi a mesma nota execução de Aliya Mustafina.
Mustafina entrou para a final longe de ser a favorita a uma medalha. Até os dirigentes russos acreditavam mais nos desempenhos de Viktoria Komova do que nos de Mustafina. Mas, nessa final, Mustafina brilhou novamente. Comparo essa série com a série da final por equipes em 2010, em que ela foi a última a passar e garantir o ouro russo. Dessa vez não foi ouro, mas foi um belo bronze.
Vanessa Ferrari chorou. Chorou por que talvez tenha perdido sua última chance olímpica. E ela fez o que pôde! Tentou acompanhar o código de pontuação da melhor forma possível, se recuperou das lesões e chegou em Londres como o maior nome da ginástica italiana. Quem diria! Top 10 no individual geral e 4º lugar no solo. Pode ser grandioso para qualquer um, menos pra ela. Ferrari queria uma medalha olímpica.
Lauren Mitchell ficou onde deveria estar: fora do pódio. Ela só entrou para essa final porque soube jogar bem com o novo código de pontuação. Se analisarmos friamente, vamos perceber que Lauren Mitchell não é boa de solo. Mas sabe jogar.
Ksenia Afanasyeva fez a melhor coreografia de solo dos Jogos. É uma pena que ela tenha errado tanto…
Jordyn Wieber… o que dizer hein?! Nem sei…muita dó! É estranho falar isso de uma ginasta que tirou acima de 60 pontos no individual geral, mas essa não foi a Olimpíada que Jordyn, Estados Unidos, fãs e patrocinadores esperavam…
Campeã olímpica em 2008, Sandra Izbasa chegou em Londres com tudo para impressionar nessa final. Boa coreografia, música diferente, ótimas acrobacias. Só que deu tudo errado! Confesso que torci muito para que ela ficasse com o ouro, principalmente depois que eu vi que não tinha dado pra Ponor, mas com a série que ela apresentou…sem condições
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