O primeiro dia do Campeonato Americano foi bastante interessante. A ginástica artística feminina dos EUA vive um momento curioso. De um lado, várias ginastas fortíssimas em seu primeiro ou segundo ano na categoria adulta; de outro, ginastas veteranas com carreiras de sucesso na NCAA ou em campeonatos mundiais e Olimpíadas. Parece ser uma batalha entre as ginastas mais jovens contra as mais “idosas”. As mais jovens apresentam uma ginástica completamente contemporânea. Parecem ter nascido para este novo código, apresentando séries abarrotadas de dificuldade e bonificações.
Achavam que aterrizar um Amanar completo e possuir uma série de paralelas cheia de dificuldades asseguraria uma equipe norte americana renovada, jovem e quase imbatível. Porém, elas não contavam com o retorno das suas próprias ídolas do passado. Literalmente ressurgidas das cinzas, como Fênix (DRAMÁAAAAAATICO).
Quem imaginaria Anna Li, uma das estrelas da ginástica universitária, conseguindo a maior nota de paralelas em seu primeiro campeonato nacional desde 2005? E quanto a Alicia Sacramone? Depois de tudo que aconteceu em Pequim? Depois de duas quedas na final por equipes e uma medalha de bronze roubada na final de salto (minha opinião)? Ela deixa a ginástica e depois volta para ser campeã mundial de salto. Além disso, que explosão é essa no solo??? Shawn Johnson, na coletiva de imprensa após a final olímpica de trave, afirmou que estava se retirando da ginástica, que já havia conquistado tudo. Depois, passou a prometer um retorno, mas nunca acontecia. Venceu o Dancing With the Stars e ganhou alguns prêmios (como o Teen Choice Award), mas precisou sofrer um acidente em uma estação de esqui para perceber que precisava voltar à ginástica. Quando os médicos lhe falaram que não poderia voltar à ginástica, ela percebeu que não queria perder tudo aquilo que lhe tornava um ser tão especial. Enfim, ela se recuperou e voltou. No Covergirl Classic não foi muito bem, mas ontem ela provou que está realmente de volta.
Agora vamos falar mais do que sério. Como não admirar profundamente uma pessoa chamada Chellsie Memmel? Em 2004 ela sofreu uma lesão que lhe tirou a chance de ir para Athenas… decepção e fim de carreira? Não. Em 2006 ela lesionou o ombro e desapareceu… fim de carreira? Não. Em Pequim ela competiu apenas nas barras por conta de uma lesão de última hora… agora sim né Chellsie, fim de carreira? NÃAAAAAAAO!!! Estamos em 2011 e ela está arrebentando. Que grande competidora, que exemplo de amor pelo esporte, que exemplo de superação!
Bom, Martha Karoly não dormiu bem esta noite, tenho certeza. Gaby Douglas, Mackayla Maroney, Bridget Caquato, Mackenzie Caquato, Sabrina Vega: todas tiveram erros e mais erros. O que vai adiantar toda a dificuldade e juventude dessas meninas sem a capacidade de acertar as séries no momento que mais importa? Gaby Douglas, por exemplo, é uma ginasta linda e na minha opinião ela está fora de questão para o Mundial de Tóquio. Ela precisa de muita competição, muita mesmo. Precisa passar pela pressão de acertar a série muitas vezes para encontrar seu caminho. Alicia Sacramone, em seu início de carreira, passou pelo mesmo problema. A Mackayla é outra que está incrível. Que linda ginasta! Massss… ela arrazou no Amanar e foi “só”.
Depois do que aconteceu com Mattie Larson no ano passado, acredito que a Martha aprendeu a lição. Imagina essas meninas frente a frente com as chinesas, romenas e russas? Com todos aqueles árbitros internacionais? Elas podem surpreender, mas provavelmente irão sucumbir à pressão. As veteranas se apresentaram bem melhor neste primeiro “round”, apesar de alguns erros, como Sacramone no solo. Mesmo assim, as séries forma ótimas e serviram como exemplo. A série da Shawn nas paralelas: uma dificuldade de 5.5 (muito baixa para o padrão atual) mas sem perder nada em execução. Resultado: conseguiu a terceira melhor nota no aparelho. E aí? Chellsie Memmel fez uma apresentação histórica na trave e ficou com a melhor nota, seguida de perto por Sacramone. Anna Li teve a nota mais alta de paralelas, mesmo não fazendo sua dificuldade completa no aparelho. Enfim, as veteranas entrarão na arena de Saint Paul, no sábado, com uma moral muito diferente. Quem tem algo a provar agora são as mais novas. Será que vão conseguir? A pressão, que já era alta, vai estar mais alta ainda. Especialmente se as veteranas competirem bem novamente.
Apesar de toda essa análise, não comentei nada sobre Alexandra Raisman, Jordyn Wieber e Rebecca Bross, mas acho difícil não ver as três na equipe de Tóquio. Alexandra ganha minha admiração pela sua capacidade de acertar tudo como se estivesse no treino. Quase arrogante, quase “tô nem aí”. Ela chega e faz. Jordyn teve problemas na trave e nas paralelas, mostrando que não é imbatível. A diferença é que ela se segurou, lutou e foi até o fim. Qualquer outra das jovens teria caído depois de desequilíbrios e erros tão difíceis de consertar. Rebecca Bross não competia desde a final de trave do Mundial de Rotterdam. Ela não está no seu melhor momento, mas acredito 100% nela e ponto. Este foi um dos melhores campeonatos que já vi. Estou ansioso para ver o que vai acontecer sábado.
Se eu pudesse dar alguma opinião para o comitê de seleção dos EUA, eu mandaria as meninas mais novas (e que ainda estão tremendo nas bases) para o Campeonato Panamericano. E a seleção de Tóquio seria formada por duas novatas (Wieber, Raisman) e três veteranas (Bross + duas veteranas). Vamos ver o que acontece né?
PS: essa é a análise de um humilde fã de ginástica que está contando os dias para o Mundial de Ginástica 2011!
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