Ordem de apresentação do Brasil
7 de outubro de 2011Pra que serve o código de pontuação?
8 de outubro de 2011Texto de Igor Almeida, correspondente do GBB em Tóquio.
Segundo (e último) dia de qualificatórias femininas cheio de surpresas. Então vamos recapitular os melhores momentos.
EUA é, de fato, o melhor time da atualidade.
Historicamente os EUA funcionam bem sob pressão, especialmente quando isso acontece de última hora. O mundial deste ano foi um remake de 2003, quando várias atletas se machucaram e não puderam competir, deixando o time nas mãos de novatas. Na época, Chellsie Memmel foi o nome que surpreendeu. De reserva á estrela. Este ano eu daria esta distinção a Gabby Douglas, afinal ninguém esperava tanto de uma atleta marcada pela inconsistência. Elas foram imbatíveis do começo ao fim.
Jordyn Wieber vs Viktoria Komova
Cada um tem sua preferida, mas o fato é que ambas sao ginastas completas como a muito tempo não se via. Ginastas com potencial para ganhar todas as medalhas. Ginastas que não comprometem execução para impor dificuldade nas séries. Ginastas novas que já iniciam na categoria adulta como estrelas. Isso é para poucos. E elas não deixaram para menos: a competição foi uma batalha virtual! “Wieber ataca com um Amanar, Komova reage com um combo de giro L + front aerial + sheep”. No final, o público apreciou a boa ginástica de ambas, já que ambas merecem o título de melhor ginasta do planeta. Qual será o resultado final dos 4 confrontos que estão por vir?
Japão: trabalho com resultado
Japão, sem dúvida, mostrou que vem trabalhando muito duro. Performances sólidas e alguma ajudinha dos juízes na trave. Mas é impossível negar a qualidade da sua ginástica. O show das barras ficou com elas, apenas 0.384 de bater a Rússia nesse aparelho. Um espetáculo contemplado por um público que não só aprecia, mas entende. A reação do público ao ver Koko tsurumi completar de maneira impecável 1 e 1/2 pirueta na barra alta é um bom exemplo. Jogar em casa tem suas vantagens, todos dizem, mas elas cativaram mesmo na técnica e na dificuldade.
Brasil: e agora José?
Frustração é a palavra. A classificação olímpica era possível, mas o Brasil teve pequenas falhas em grandes quantidades. Notas importantes que não aconteceram em todos os aparelhos. Falha nossa e rigidez dos juízes em algumas provas. Por mais que queiramos achar motivos em polêmicas, 8 pontos de distância da última vaga mostra que a seleção não está preparada. Em 2007, as dificuldades nas séries eram bem maiores, e as execuções mais precisas. Tinhamos a 3ª melhor ginasta do mundo, isso contribuiu bastante. Sinto que o Brasil não tem estratégia de competição. E também sinto que o nível de exigência na execução não é suficiente, especialmente considerando o foco do atual código de pontuação. Vamos ter que disputar as últimas 4 vagas contra Itália, Franca, Canadá e Espanha (respectivamente 9º, 10º, 11º e 12º colocadas) em Janeiro. E ainda temos Holanda, e por que não Coréia nesse mix? Estamos atualmente a 2 pontos desse top 12 olímpico. Brasil tem 3 meses para analisar sua performance de maneira objetiva e levar esse código a risca. Quero acreditar que esse resultado pífio vai trazer um sentimento de revanche, um “wake-upcall” necessário para voltar com mais vontade ano que vem.