Depois das finais do Campeonato Brasileiro 2014 pudemos ter uma noção de como andam as séries e rendimento dos ginastas da seleção brasileira. Os ginastas da seleção masculina continuam traçando o caminho correto e que é claramente demonstrado nos atuais resultados, tanto nacionais como internacionais. As ginastas da seleção feminina começaram a sentir os efeitos do treinamento russo de Alexandrov. Mas como realmente a seleção se encontra como equipe no cenário internacional?
Ainda não foi postado no blog os resultados das finais do Campeonato Brasileiro, mas quem acompanha a ginástica mais de perto soube onde encontrar. Quem ainda não viu os resultados, aqui está a lista dos três primeiros colocados em cada aparelho:
Masculino
Solo
1º Ângelo Assumpção, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,650
2º Arthur Nory Mariano, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,400
3º Lucas Bitencourt, do Serc Santa Maria (SP), com 14,300
3º Renato Oliveira, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,300
Cavalo com alças
1º Fellipe Ferreira, do Minas Tênis Clube (MG), com 14,050
2º Henrique Flores, do Serc Santa Maria (SP), com 14,000
3º Francisco Barretto Júnior, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 13,300
3º Lucas Bitencourt, do Serc Santa Maria (SP), com 13,300
Argolas
1º Arthur Zanetti, do Serc Santa Maria (SP), com 15,850
2º Henrique Flores, do Serc Santa Maria (SP), com 15,250
3º Francisco Barretto Júnior, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,300
Salto
1º Hudson Miguel, do Serc Santa Maria (SP), com 14,975
2º Diego Hypolito, do Asa/Mesc/São Bernardo (SP), com 14,850
3º Ângelo Assumpção, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,800
Paralelas
1º Caio Souza, do Asa/Mesc/São Bernardo (SP), com 14,950
2º Lucas Bitencourt, do Serc Santa Maria (SP), com 14,750
3º Francisco Barretto Júnior, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 14,700
Barra fixa
1º Francisco Barretto Júnior, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 15,100
2º Lucas Bitencourt, do Serc Santa Maria (SP), com 14,600
3º Caio Souza, do Asa/Mesc/São Bernardo (SP), com 14,250
Feminino
Salto
1º Jade Barbosa, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 14,875
2º Daniele Hypolito, do Cegin (PR), com 14,350
3º Joselane Santos, do Esporte Clube Pinheiros (SP), com 13,725
Barras assimétricas
1º Letícia Costa, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 13,200
2º Jade Barbosa, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 13,150
3º Maria Cecília Oliveira, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 12,250
Trave*
1º Daniele Hypolito, do Cegin (PR), com 14,050
2º Julie Kim Sinmon, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 13,800
3º Flávia Saraiva, do Sesi/Qualivida (RJ), com 13,600
Solo*
1º Daniele Hypolito, do Cegin (PR), com 13,450
2º Mariana Valentin, do Cegin (PR), com 12,900
3º Julie Kim Sinmon, do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), com 12,850
Confira os resultados completos clicando aqui.
*Jade estava classificada para as finais de trave e solo, mas uma lesão/susto no fim da prova de paralela deixou a ginasta opcionalmente fora dessas finais.
Analisando as melhores notas masculinas, os melhores desempenhos e, consequentemente, os melhores ginastas, chegamos a um senso comum. Hoje temos 4 ginastas que praticamente são a base da equipe masculina: Sérgio Sasaki, que apesar de não ter competido no Brasileiro é o melhor “all-arounder” do Brasil; Arthur Nory, que com base em seus resultados atuais e anteriores é o segundo melhor “all-arounder” do Brasil (Nory está se recuperando de uma lesão no dedo da mão e não competiu todos os aparelhos no Brasileiro); Francisco Barreto, terceiro melhor “all-arounder” do Brasil, com excelente contribuição na paralela e barra fixa; Arthur Zanetti, que além de ser o melhor do mundo nas argolas, contribui bem no salto e solo e está trabalhando para melhorar sua série de paralela.
Fora esses quatro, temos uma lista com grandes ginastas que podem contribuir muito com a equipe: Diego Hypólito, Petrix Barbosa, Péricles Silva, Ângelo Assumpção, Hudson Miguel e Henrique Medina eram os nomes mais prováveis. Até agora. Caio Souza, que foi despedido do Flamengo e agora treina ao lado de Diego no ASA-MESC, mostrou todo seu potencial nesse brasileiro. Quem também surpreendeu foi Lucas Bittencourt do São Caetano, que garantiu 6 notas acima de 14 no individual geral.
Abandonando todo favoritismo e conquistas do passado e pensando numa final por equipes no Mundial da China, a escolha mais inteligente para finalizar a equipe seria Caio Souza e Lucas Bittencourt. Analise o quadro abaixo, feito com notas do Sul-Americano, Copas do Mundo e do Brasileiro.
No somatório de 4 notas, o nosso querido Brasil teria realizado o sonho de uma equipe completa nas Olimpíadas já em 2012. A nota 356.614 teria classificado o Brasil em 4º lugar para a final por equipes no Mundial pré-olímpico de 2011. E isso porque na época estava em vigor o antigo código de pontuação, onde todos os saltos sobre a mesa tinham o valor de um ponto a mais. Somando mais quatro pontos a essa nota a equipe teria um total de 360.614 e classificaria em 3º lugar, na frente da China (359.126). Um sonho, não? Na final, onde contam apenas 3 notas, com 269.114 a equipe ficaria em 4º lugar. Somando os 3 pontos do salto continuariam em 4º lugar com 272.114, mas poucos décimos atrás dos Estados Unidos (273.086) e 3 pontos na frente da Rússia (269.045). Resumindo, essa equipe, com essas notas, colocaria o Brasil entre os 4 primeiros do Mundo.
No feminino, Jade Barbosa e Daniele Hypólito são a base da equipe. Apesar de serem veteranas, continuam sendo as melhores contribuintes com notas e resultados. A diferença nesse ano é que, ao contrário de 2011, onde a equipe era completamente veterana, é bem provável que Jade e Daniele sejam as únicas veteranas a fazerem parte da equipe. Hoje existem juvenis que chegaram á categoria adulta e estão competindo bem, além de que a antiga geração de ginastas não estão competindo mais. Juliana Santos e Adrian Gomes parecem não ser mais opções para a seleção.
As ginastas que hoje tem condições e idade para integrar a equipe adulta são: Julie Kim, Mariana Oliveira, Lorrane dos Santos, Letícia Costa, Mariana Valentim, Maria Cecília, Daniela Santana, Isabelle Retamiro e Rebecca Mariah. Dessas, Lorrane dos Santos e Daniela Santana estão se recuperando de lesão e Rebecca Mariah sofreu uma lesão durante o treino de pódio do Campeonato Brasileiro.
Tendo como seletiva o Campeonato Brasileiro e excluindo as lesionadas, as melhores opções para as 4 vagas restantes são: Julie Kim, Maria Cecília, Mariana Oliveira e Letícia Costa. Analise esse outro quadro, formado apenas com as melhores notas do Campeonato Brasileiro das ginastas em questão.
Com 221.250, a equipe feminina do Brasil teria ficado em 7º lugar nas classificatórias do Mundial pré-olímpico de 2011, entre a Austrália (221.846) e Alemanha (221.163). A equipe empurraria as britânicas para fora da final por equipes (220.553) e da classificação olímpica, evitando os transtornos da repescagem no Evento Teste. Quem não se lembra daquele sufoco que o Brasil passou em janeiro de 2012?
Já a nota 167.800 deixaria o Brasil em 6º lugar, atrás da Alemanha (168.479) e na frente do Japão (167.122). Esse só não seria o melhor resultado do Brasil porque em 2007, ano em que Jade debutou na categoria adulta, a equipe feminina terminou o Mundial em 5º lugar.
O que você pensa sobre essa análise? As equipes funcionariam assim? Serão esses os ginastas integrantes das equipes principais do Brasil esse ano? As coisas podem mudar até o fim de setembro ou os nomes realmente serão esses? Deixe sua opinião.
Foto: Ricardo Bufolin
Os quadros de análise desse post foram feitos por Rafael Margatto e Daniel Fernandes, com quem compartilho minha opinião.