Jade Barbosa está fora do Pan
16 de outubro de 2011Rebeca Andrade no solo
17 de outubro de 2011Salto masculino
Essa é uma final que eu gosto cada vez mais de ver. Ás vezes por ter sido meu aparelho favorito na época de treinos, mas a verdade é que sempre tem um ginasta mais maluco, que vai acabar arriscando um salto de dificuldade mais alta e dando gosto de se ver. Queria ter visto o coreano Ri Se Gwang arriscando saltos muito difíceis nessa final, mas a Coréia do Norte está dentro da suspensão de dois anos que tomou por conta das falsificações de idade dos ginastas.
Bouhail abriu bem a final de salto, cravando um dragulesco. Pensei até que o ouro estava garantido, mas acabou errando o tsukahara com duplo carpado. Esse é um salto muito difícil de controlar a chegada e consequentemente cravar. Esse foi o motivo de muitos ginastas terem perdido um lugar no pódio nessa final. Seon Yang mereceu muito o ouro que conquistou. O cara gira demais, e os giros são bem limpos! Achei o pódio dessa final bastante justo, mas confesso que estava torcendo para os medalhistas serem ginastas não classificados para Londres. Todos os medalhistas dessa prova já estavam garantidos em Londres, por serem de equipes finalistas nesse mundial. Resultados.
Trave
Deixo registrado aqui a minha frustração. Realmente eu estava torcendo pra Catalina Ponor, que abriu essa final. Frustração à parte, Ponor não merecia um lugar no pódio. Ela perdeu uma ligação e acabou tendo a nota de partida mais baixa, sem contar com os vários desequilíbrios. Tenho que abrir mão do coração de fã e assumir que Ponor não merecia uma medalha…Mas é aquela história: a moral de Ponor na trave é igual a de Diego no solo: basta acertar pra ganhar! Uma pena ela ter errado…
Sui Lu garantiu o título que poderia ter sido dela no ano passado. Passou bem em uma série dificílima e, diante das apresentações das outras ginastas, não poderia ficar em outro lugar senão o primeiro. Yao Jinnan conquistou o meu respeito nesse aparelho e nesse mundial, e com certeza conquistou o respeito dos dirigentes chineses também. A moral dela deve estar lá em cima e possivelmente estará na equipe olímpica no ano que vem. No mais, posso dizer que Wieber e Raisman fizeram um bom trabalho, Inshina e Racea poderiam ter sido melhores, e Komova…mais uma medalha que escapou. Resultados.
Paralela masculina
Berbecar fez uma série com um grau de dificuldade muito bom. Exercícios bem difíceis e boas ligações, mas no geral teve uma série um pouquinho suja. Ele pode treinar muito a limpeza dessa série, e assim conseguir vaga na final olímpica e até mesmo uma medalha. Uma curiosidade: repararam bem no técnico dele? Era niguém mais e niguém menos que Marius Urzica, multicampeão de cavalo com alças e dono de um exercício bem original na paralela.
Vasileios Tsolakidis foi excelente. Chamou a minha atenção e se colocou em primeiro, no momento que se apresentou, de forma muito justa. No fim da competição ele pulou do oitavo lugar para a medalha de prata! Merecidamente. Zhe Feng não vai bem e decepciona. Danell Leyva rouba a cena. Acerta a série inteira e tem a melhor execução do dia. Trocos lindos, todos na vertical, e perna muito esticada, garantiram a ele um altíssimo 9.233 de execução. Cucherat não cravou a saída e, hoje em dia, cravar a saída da paralela tem que ser parte da normalidade da série dos atletas. Uchimura teve um erro numa final onde tudo que você podia fazer era não errar. Senti falta de Mitja Petkovsek. Resultados.
Solo feminino
Fãs de Lauren Mitchell e Beth Tweedle: me desculpem, mas estou feliz que essas ginastas não tenham pego medalha nessa final. Muito aliviado na verdade, rsrs. Não que eu não goste da ginástica delas. Só acho que estavam na final errada: a primeira deveria estar na final de trave e a segunda na final de paralela. Só isso! Aí sim poderiam medalhar á vontade…
Apesar de não gostar do solo de Mitchell tenho que elogiar a performance que ela teve nessa final. Ela foi muito “ninja” salvando a nota de dificuldade da série. No meio da série ela perdeu a sequência de saltos (é obrigatório na composição da série haver uma sequência de saltos) e poderia ter sido despontuada em 0.5. Mas no finalzinho, antes da pose final, ela consegue fazer uma sequência só pra cumprir com a exigência e manter sua nota original. Palmas pra ela! Não foi o suficiente para ela ser medalhista mas com certeza faria a diferença numa final por equipes, por exemplo.
Muitos ainda estão discutindo se Afanasyeva deveria ter sido ou não campeã mundial, mas eu só posso dizer uma coisa: ela tinha dificuldade de 6.1 e teve uma execução excelente. Ficou nas mãos dos juízes a decisão de quem seria a campeã mundial, ela ou Sui Lu, e, no olhar deles, Afanasyeva mereceu. Ponto. Pra mim, foram as duas séries mais emocionantes da final, e tanto uma como a outra mereciam o lugar mais alto. Não acho que uma merecia mais do que a outra. Era uma ou outra. O que não dava era pra Raisman ficar em primeiro. Tudo bem que ela tem acrobacias fortíssimas e dificuldade boa também, mas fatou plasticidade nos movimentos, sabe? Sabe aquela coisa que chinesa tem de sobra? Que você não sabe o que é mas gosta de ver? Então, é isso. E não é porque ela é americana, porque americanas são robóticas, etc. Nastia Liukin, Terin Humphrey, e até a Shawn Johnson, emocionavam muito quem as via no solo. Resultados.
Barra fixa
Fabian Hambuechen abre a final de forma espetacular e já se coloca em primeiro, lugar onde ele deveria ter ficado. Por mais que Zou Kai e Chenglong tivessem mais dificuldade que ele, eles tiveram, também, mais erros de execução. Ouso dizer que as séries foram até mesmo um pouco sujas pra essa final. Hambuenchen merecia mais nota de execução, e teve a mesma que os chineses. Queria que na barra fixa o ginasta também tivesse que fazer os trocos na parada (assim como na paralela feminina). Não que eles já não tenham que fazer os trocos na parada. É que o grau de angulação do troco, em que o ginasta é despontuado, é menor que o que as ginastas são despontuadas na paralela. Pode ser que as séries percam um pouco de ritmo no começo, mas acho que vai ficar mais bonito e limpo de se ver. Não custa nada tentar, já que o código é revisto a cada ciclo olímpico.
Alguns detalhes dessa final:
*Philipp Boy errou exercício simples e comprometeu a série.
*Zonderland, pra variar, sempre me passando medo.
*Orozco me deu um pouco de preguiça. Cadê aquela “vontade” com que ele competiu nas classificatórias???
Última série do Campeonato Mundial de Ginástica, sediado em Tóquio, no Japão. Quem faz a série é um ginasta do Japão. O nome dele é Kohei Uchimura, e ele dá um presente para o país: fecha o Mundial de Tóquio 2011 com uma série magnífica e enche de esperança o coração de um povo que passava por grandes problemas alguns meses atrás. Sorte de quem ficou acordado até ás 05:30 da manhã e pode se emocionar com isso. Resultados.