Foi postado uma entrevista com o técnico Alexander Alexandrov em uma comunidade de uma rede social russa, feita por Olya Terentyeva. Confira abaixo as partes da entrevista em que ele fala sobre o Brasil. Tradução livre.
– Você foi treinador nos EUA por vários anos. Você pensou em trabalhar lá ao invés de ir para o Brasil?
– Sim, tive várias ofertas de diversos países, incluindo os EUA, onde me ofereceram trabalho como treinador. Minha decisão foi baseada na proposta mais interessante para mim.
– O que te fez escolher o Brasil para continuar a sua carreira de treinador? Você vai trabalhar com Oleg Ostapenko durante todo o tempo?
– Eu e Oleg trabalhamos juntos na URSS e na Rússia (depois que Oleg deixou o Brasil em 2008), e sempre tivemos um relacionamento muito bom, encontramos uma linguagem comum. Quando eu recebi a oferta do Brasil, vi que existe uma ginasta com bom potencial, e decidi aceitar a oferta. O fato de Oleg ter voltado ao Brasil foi também um dos fatores decisivos para mim. Tínhamos planejado trabalhar juntos para os Jogos do Rio em 2016. Além disso, Oleg já trabalhou aqui, ele conhece o sistema. É muito bom e útil ter um ombro sobre o qual pode se apoiar quando tudo é novidade, uma pessoa que pode te ensinar tudo.
– Está gostando do trabalho no Brasil? Há algo de errado?
– No Brasil existe muitas ginastas talentosas com alto potencial, que no futuro podem mostrar bons resultados. Negativo: não é tão fácil direcionar todos para trabalhar na direção certa, talvez porque as ginastas treinam em diferentes clubes. Eu chamaria isso de complexo ao invés de negativo.
– Rebeca Andrade é uma das esperanças do Brasil em 2016? Quais outras ginastas brasileiras podem classificar para 2016?
– Sim, Rebeca é uma ginasta muito talentosa, e pode ser ainda melhor. Temos mais meninas muito talentosas, mas eu não quero mencionar os nomes. Vamos esperar e ver como as coisas andam. Muito vai depender de como Rebeca e essas outras meninas vão continuar a treinar. Na verdade, depende delas.
– A seleção feminina se classificou para a Londres 2012. Qual a estratégia que você tem preparado para que elas também se classifiquem para 2016?
– Eu diria que hoje o principal desafio é melhorar a disciplina em geral e unir os clubes assim como toda comissão técnica. Trabalhar em conjunto e usar os métodos especificados nos permitirá mostrar bons resultados nos Jogos Olímpicos.
– Como é o apoio financeiro e infra-estrutura no Brasil para a preparação da equipe feminina?
– Meu único trabalho é ser treinador, eu não tenho quaisquer dados do orçamento. Mas até agora, tudo o que foi pedido foi fornecido. Estou muito satisfeito.
– A equipe de Curitiba (CEGIN) está sob os cuidados de Oleg Ostapenko. Qual ginásio será utilizado para a preparação dos Jogos Olímpicos?
– Um Centro de Treinamento será inaugurado no Rio, assim como outros esportes. Eu ficarei nesse ginásio para trabalhar em conjunto com outros treinadores.
– Os fãs de ginástica querem ver mais arte. Isso é possível com as novas regras? Na verdade, praticamente todas as ginastas terão que melhorar suas coreografias e notas D para uma melhor pontuação.
– Sim, agora há um problema com a complexidade da parte artística. Muito vai depender da comissão técnica da FIG, que decide em qual direção a ginástica feminina de ir. Talvez fosse uma boa ideia organizar uma reunião especial em competições (talvez no Mundial da China em outubro). Acho que precisa ter essa reunião com a participação todos os treinadores chefes de todas as equipes do Mundo, assim como coreógrafos. Não falo dos chefes de equipes ou delegações, mas do treinador de fato, o que trabalha diretamente com as atletas. O objetivo desta reunião seria para o treinador ter uma ideia sobre resolver os problemas existentes e organizar uma discussão aberta de todas as soluções possíveis, de votar e escolher o mais interessante para todos. Acredito que a FIG precisa ouvir a opinião daqueles que trabalham com atletas de diferentes países e organizar algo assim em um futuro próximo. Podemos, coletivamente, tomar uma decisão que será aceita pela maioria, mas que seja benéfica para a combinação de arte e complexidade.
– A equipe dos EUA chegou ao sucesso através de seus campings de treinamento mensais, no Rancho Karolyi. Você pensa em algo parecido com isso no Brasil, em que o treinador pessoal possa continuar a treinar os seus ginastas?
– Na verdade, havia campings de treinamento na URSS, que depois se espalharam pelo mundo todo. Estou absolutamente certo que eles ainda são o melhor método de treinamento. É extremamente importante a equipe nacional treinar junta. Comecei a usar este sistema logo que cheguei ao Brasil e já estou satisfeito com aparentes bons resultados. Pretendo continuar a organizar os campings de treinamento e espero que este sistema se torne a raiz da ginástica brasileira.
– O que você vai fazer depois de Rio 2016?
– Honestamente, eu não pensei sobre isso. Eu tento me concentrar nos objetivos que tenho agora, que aspiram a um futuro próximo. O que vou fazer depois dos Jogos Olímpicos de 2016? Ainda não sei. Fonte: http://vk.com/topic-4153493_29646555