Pra que serve o código de pontuação?
8 de outubro de 2011GBB em Tóquio
10 de outubro de 2011Texto de Igor Almeida, correspondente do GBB em Tóquio.
Japão a (quase) todo vapor
Equipe japonesa é e sempre foi umas das melhores do mundo. Uma ginástica que reflete toda uma cultura á perfeição e aos detalhes. Em um documentário da TV japonesa que pode ser visto no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=BNmJxEIVh-o), foram dedicados 8 min para explicar e apreciar a beleza de uma “parada” considerada perfeita, além de outros movimentos. Este é um exemplo de como a cultura japonesa em geral distingue o que é excelência. Os atletas japoneses que competiram hoje, apesar de reafirmarem sua posição de potência no esporte, reconhecem que não foram os melhores. Especialmente na luta de sair da sombra de runner-up China. Eles vão precisar voltar aás suas raízes, sendo pacientes e mantendo a tranquilidade; afinal, eles tem tudo que precisam para serem, de fato, a melhor ginástica masculina do planeta.
Uchimura: o super-hiper-ultra man
Seu 1º título mundial o trouxe ao estrelato. Em seu 2º, tirou qualquer dúvidas de sua supremacia e ratificou sua condição de “superstar” da ginástica. Este ano todos já reconhecem que Uchimura só perde para ele mesmo. Uma queda no salto logo na 1ª rotação com certeza não estava nos planos. Porém, o que para muitos virou motivo de especulação sobre sua capacidade de se manter no topo, passou despercebido ao próprio. Ao final das 5 rotações seguintes era difícil lembrar que ele havia tido uma queda, tanta foi a perspicácia e confiança. O público aplaudiu, gritou, comemorou e se maravilhou com as performances impecáveis de um ginasta que vai entrar para a história. Um ídolo que com certeza está inspirando e dando exemplo para uma futura geração de campeões.
Orozco: a juventude que prevalece
Enquanto todos se focavam na briga entre Leyva e Horton, John Orozco fez o que aprendeu desde cedo: lutou por um sonho. Este ginasta surpreendeu á todos, não apenas pela sua colocação final, mas pela sua determinação. Para os que assistiram ao vivo, podia se notar que Orozco passa, com bastante veracidade, sua humilde. Não pelo fato de ter nascido no Bronx ou vir de uma família humilde, mas por, talvez, respeitar o esporte e seus adversários. Comemorações discretas, alegria serena. Era como se ele não soubesse o quanto era bom. Acho uma característica admirável e, sem dúvida, carismática. Não sabemos o que será de suas performances na final, mas ele ganhou o respeito e o reconhecimento por seus méritos esportivos e por sua personalidade.
Ucrânia é Ucrânia
As linhas ucranianas vão do feminino ao masculino sem perder nenhum centímetro da beleza que permeia a sua técnica. Mykola Kuksenkov e Oleg Stepko mostraram porque a ginástica é um esporte tão bonito de se assistir ao vivo, e também um dos motivos pelo qual todos deveriam lembrar e agradecer ao inventor do slow motion.
A volta do Dragulescu
Sempre me perguntei porque a ginástica masculina da Romênia nunca foi destaque como a feminina. Dragulescu é um bom exemplo a ser seguido neste país que tem talentos, e muitos, mas que não se mantêm. O retorno de Dragulesco aos tablados mostra sua seriedade e vontade de ajudar a seleção de seu país. Saltou o que tinha, voou o que pode, e liderou um time que parecia meio desorganizado. Koczi fez seu papel muito bem, mas Dragulescu tem algo especial.
Brasil: rumo ás Olimpíadas
Um momento por favor… Antes das opiniões precipitadas sobre as chances do Brasil terminar entre os 8 primeiros, é importante analisar o significado da performance de hoje. Em Atenas e Pequim, tivemos 1 ou 2 ginastas representando a ginástica masculina apenas. Ao mesmo tempo, a ginástica feminina se tornava potência emergente. A mídia, o público e tantas outras pessoas nunca acreditaram na evolução da ginástica masculina brasileira. Diego Hypólito era visto praticamente como um milagre. Sua falha nas Olimpíadas foi criticada justamente pelas pessoas que “já sabiam que não ia durar”. O fato é que o Brasil evoluiu e preparou a base para colher os frutos, mesmo sem o mesmo apoio ou visibilidade do feminino. Distribuiu suas capacidades em vários ginastas e o mais importante: trabalhou como equipe. O Brasil pode não terminar entre os 8, mas com certeza serão favoritos em janeiro. Isto, por si só, representa uma conquista histórica: a confiança de que é possível.