A ginástica americana vai sobreviver?
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28 de janeiro de 2018
Mesmo passando por uma crise seríssima, a ginástica americana continua produzindo suas boas ginastas. Debaixo de pressão – ou não -, as quatro ginastas estreantes mencionadas nesse post possuem grandes chances de integrar a equipe americana esse ano. Com séries lindas e muito bem preparadas, elas chegam para, possivelmente, colocar em risco a vaga de algumas veteranas. E, quem sabe, continuar mantendo a hegemonia da potência esportiva que é a ginástica artística feminina dos Estados Unidos.
Maile O’Keefe
Campeã americana em 2017, mostrou muita consistência no somatório dos dois dias de competição, sem apresentar grandes erros. Tem uma série de barra muito dinâmica, seu melhor aparelho, com várias largadas e ligações inteligentes – como a sequência de maloney + ricna -, além de espaço para adição de novas ligações. O solo não possui grandes ligações, mas tem como ponto forte a parte artística e os elementos de dança, que são muito bem executados; no geral, uma série que não deixa margem para grandes descontos. Tem um ótimo yurchenko com dupla pirueta no salto mas que dificilmente evoluirá para um amanar. A trave, apesar de ter boa dificuldade, ainda não é muito dinâmica e precisa de polimento nos saltos de dança e ligações. O’keefe pode ser uma das grandes estrelas nas finais de individual geral esse ano.
Emma Malabuyo
Esbanjando carisma, a energia de Malabuyo fazendo ginástica é contagiante. Essa é uma forte candidata ao prêmio Longines do Mundial esse ano! Tem o solo como seu aparelho mais forte, onde apresenta uma coreografia muito dinâmica, expressiva e um duplo esticado belíssimo. Na trave apresenta muita segurança, mas peca nos elementos de dança que quase nunca completam os 180° mínimos exigidos pelo COP. Muito flexível, abusa dos elementos da família dos stalders nas assimétricas o que, particularmente, deixa a série mais bonita e, no caso dos inbars stalders, valem mais. Finaliza seu individual geral com um bom yurchenko com dupla pirueta, limpo e por vezes cravado, mas que, como no caso de O’keefe, terá dificuldades para evoluir para um salto mais difícil. Com certeza é um nome forte para a equipe americana esse ano e possível finalista mundial no aparelho solo.
Kara Eaker
Diferente de ginastas como Mailey OKeefe ou Emma Malabuyo, que já eram cotadas como promessas desde seus primeiros anos como juvenis, Kara Eaker até 2016 era uma ginasta level 10. Apenas em 2017 atingiu o status de ginasta de elite, em seu último ano como juvenil, demostrando consistência e bastante potencial. Vinda do ginásio GAGE, que ao longo dos anos produziu grandes ginastas americanas (Courtney Mcool, Terin Humphrey, Sara Finnegan e Brenna Dowell), Kara apresenta elegância e sofisticação características das ginastas desta escola. A trave é seu principal aparelho, onde recebeu notas muito altas no campeonato americano. Nos outros aparelhos demonstra bastante técnica e potencial de upgrade na dificuldade de seus exercícios. Vale muito a pena ficar de olho nela!
Gabby Perea
Gabby tem a série de barras assimétricas mais difícil entre as estreantes americanas na categoria adulta: contando com ligações de voo infinitas, parte de nada mais e nada menos que 6,5! Dá pra imaginar? Uma nota de dificuldade valor 7,0 no código antigo. A ginasta treina no Legacy Elite, clube gerenciado por Li Yuejiu and Wu Jiani, pais da ginasta Anna Li, que conseguiu uma vaga no Mundial de 2011 e foi reserva olímpica em 2012. Além das assimétricas, possui uma série de trave muito firme e difícil, que conta com uma pirueta parada cravadíssima e a sequência de dois flics + mortal estendido. Foi campeã individual geral juvenil em Jesolo no ano passado, apresentando um solo razoável e um yurchenko com dupla pirueta. No Campeonato Americano estava lesionada e competiu apenas nas barras assimétricas, terminando na terceira colocação e contabilizando uma queda no primeiro dia de competições.
Post de Cedrick Willian e Lucas Rodrigues
Foto: Christy Linder